Wednesday, May 30, 2007

“Sobre minha maior obsessão/inspiração dos últimos tempos: Maria Antonieta.”

(parte I)

Falarei então sobre essa personalidade e também a respeito do filme de Sofia Copolla baseado em uma de suas biografias.
Começando pelo que mais gosto de fazer, criticarei a revolta das pessoas contra a glamurização desta figura no filme de Copolla. PAREM, pelamordedeus, de dizer que a verdadeira MA era uma gastadeira, egoísta, que tinha seus prazeres a custo da fome dos outros e, por isso, está retratada errôneamente no filme que há pouco saiu de cartaz. Ela até pode ter tido gastos absurdos, mas será mesmo que tinha noção do que suas despesas representavam no país? Sabem que eu ouvi dizer que ela praticava caridade.

E será mesmo que disse: "Se não tem pão, que comam *bolo"? Sinto muito, mas história, na minha opinião, é quase sempre baseada em **fofocas. Talvez até tenha-se uma certeza maior da veracidade de certos fatos, provavelmente os mais recentes ou de que se tem um registro mais preciso. Todavia, poupem-me: ninguém aqui sabe, com exatidão, quem( ou "quens" ) foi o maldito fulano que espalhou para o povo que MA teria dito um absurdo desses e, portanto, se pode-se ou não confiar no tal.
Porém, sendo ou não verdade que ela disse a famosa frase citada, sabemos que, conforme o ditado, "quem conta um conto sempre aumenta um ponto", o que nos leva à conclusão de que, a frase foi certamente alterada nesses mais de duzentos anos desde seu pronunciamento. Já pensou? Devem ter sido milhares de boquinhas e bocões, pertencentes a indivíduos de cabeças pensantes ou ignorantes, das quais essa citação saiu.
Por último, levando em conta a psossibilidade, que me parece mais uma impossibilidade, da rainha da França ter mesmo dito aquilo sobre o que estamos falando, perdoemos a pobrezinha (e não estou sendo irônica!): a coitada (ou sortuda?) era uma alienada, que, com certeza, mal sabia do que se passava fora de Versailles.


*brioches
**e por isso que é tão interessante....
Eu também vou reclamar....

Análise Geral do Filme/ Revolta contra os Críticos Petulantes e Quadradões:

(parte II)

O filme de Sofia Copolla, é,na minha opinião uma obra de arte. E já estamos no ponto X que eu pretendia chegar: sendo um filme artístico, é uma interpretação da diretora em relação a uma personalidade, e não um retrato da vida desta. Portanto, aceita omissões de importantes fatos históricos e não obrigatoriamente tem de se focar nesses. Se a filha de F. F. Copolla dirigiu um filme sobre Maria Antonieta, mulher que reinou na França durante a Queda da Bastilha, e privilegiou o figurino, os cenários, a trilha sonora, ao invés preocupar-se mais com a coerência histórica, pouco me importa(e pouco deveria importar aos malditos críticos). O que acabei de dizer, é que acho o filme maravilhoso, fascinante, enfim, genial, independente das falhas na parte histórica.

Além do mais, em um filme sobre o século XVIII, em que aparece um negro na corte, um all star no meio dos sapatos da rainha, e utiliza-se, especialmente, do rock, incluindo bandas como The Cure, New Order, The Strokes, Bow Wow Wow e etc; na trilha sonora, um retrato fiel da França de Luís XVI sairia um tanto esquisito. O filme dirigido por Sofia Copolla é ousado. É Inovador. É provacante. É encantador. Não ensina o processo da Revolução Francesa à ninguém, mas proporciona uma experiência artísitca fantástica. Não será utilizado, certamente, na disciplina de história, mas, potencialmente, na disciplina de artes.

Parabéns à figurinista, Milena Canonero, que adaptou o figurino do século XVIII, inserindo nele elementos que o tornaram atual, influenciando fortemente a moda do século XXI..*

Parabéns a Brian Reitzell, pela trilha sonora, que gerando contrastes, tornou as cenas ainda mais belas. Perfeito casamento de imagem e som (relação indispensável ao filme)!

E, é claro, parabéns à Sofia Copolla, diretora do filme, que reuiniu uma equipe maravilhosa, fez um belíssimo trabalho, mas, infelizmente, foi mal compreendida (assim como eu, vejam mais adiante!) pela crítica.



*Na parte estética, parabenização também a Jean-Luc Russier (maquiagem), Odile Gilbert (cabelos) e Benoît Peclin (DOCES! Macarrons em especial...).

Thursday, May 17, 2007

Só mais uma coisinha....


O Bolo e a Contradição
(parte III)
Bom, antes que me chamem de ambivalente, indecisa, ou sei lá o quê mais, quero esclarecer um negócio: acabei de afirmar que, na minha opinião, os gastos exorbitantes de Maria Antonieta, eram fruto de uma alienação e portanto, não tratavam-se de uma indiferença da parte dela para com o povo do país onde reinava. Acontece que, neste ano, para a minha festa de aniversário, cuja inspiração era a rainha austríaca sobre a qual estou escrevendo, criei um bolo que acabou sendo mal interpretado.

O bolo consistia no seguinte: três camadas, as duas primeiras (as maiores) formadas por fotos em preto-e-branco que retratavam a miséria , e a terceira (obviamente a menor), sobre a qual estava disposta uma coroa com a frase “Let’em eat cake”, sendo constitúida por fotos coloridas de pessoas ricas usando óculos escuros, ilustrando então a “cegueira” destas diante da injustiça social.

Assim, uma senhora, ao ver o bolo, disse (mais ou menos) o seguinte a respeito da obra: “Mas veja só, é uma crítica ao comportamento egoísta de Maria Antonieta!”. Well, well, well..... infelizmente, fui mal compreendida. Na verdade, as pessoas que selecionei para “participar” da camada superior do bolo, não deveriam dar a impressão de estar gritando: “Gasto, logo existo e não tô nem aí se vocês aí embaixo tão morrendo de fome!!!”, mas sim dizendo: “Gasto, pois existo e não vejo porque deixar de fazer isso.”. Notaram a diferença?

Portanto, meu polêmico e não comestível (apesar dos dizeres da coroa em seu topo) bolo tinha o objetivo de retrar o desconhecimento da parte das minorias em relação a uma situação de vida miserável da qual não participam, mas que existe mesmo assim, e não a “malvadeza” delas. Talvez tenha sido uma falha minha na hora de expressar-me e a obra final acabou não ficando tão clara. Porém, já que já expliquei do que se trata a criação, compartilho-a aqui com vocês (seja lá quem são) por meio de fotografias:



PS: E se, parecer contraditória agora por ter EXPLICADO uma obra de arte, o que muitas vezes critico, esclareço-me novamente: não sou contra a obras acompanhadas de teorias, mas sim àquelas que não vivem sem estas (o que não é o caso do meu bolo, que decorou muito bem a minha festa - e dêem licença ao meu ego.).







PS: Impossível deixar o Papa fora do bolo, afinal, tem alguém mais alienado que ele no mundo?

Thursday, March 01, 2007

No último post, que, a essa altura, provavelmente quase ninguém leu, mencionei o desfile do Jum Nakao e coloquei links para os que desejassem ter uma idéia do que acontecera através de fotos. Como penso que elas não foram claras o suficiente para retratar a performance, aqui temos um vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=lTi3DCpeD7E&mode=related&search=

Por acaso, vasculhando o You Tube, encontrei também essa montagem muito interessante, que utiliza imagens do desfile:
http://www.youtube.com/watch?v=KZFSZU1uYb8&mode=related&search=

--------------------------

Quanto à promessa feita no final do texto anterior:



(I)Estes dois modelitos, com inspiração circense, serão uniforme nas próximas festas da alta sociedade.....





(II)Para as moças que sentem-se mal vestindo peles, aqui temos uma opção intermediária: uma blusa com aplicações de osso de galinha.....




(III)Como o inverno está chegando, este pala serve para aquelas que desejam manterem-se aquecidas, mas dentro das últimas tendências....




(IV)Para as mais discretas, o pretinho básico é uma ótima opção nas noites de frio....




(V)E podem ter certeza: as saias efeito abajur serão tendência certa neste inverno....


(VI)Já este chapéu, também como proteção contra o frio, será disputado por todas laranjetes do palneta.....





(VII)Posso garantir-lhes: este par de sapatos ainda fará muitas moças no Country Club tropeçarem....



(VIII)E quanto àquelas que desejarem um corpo escultural, recomendo este belíssimo vestido.

------------------------

I. Ambos os modelos são criação da estilista Vivienne Westwood presentes na sua exposição no V&A Museum.

II. Também Vivienne Westwood, provavelmente da fase em que vendia roupas para punks, em Londres, na loja Sex.

III. Look do desfile de Junya Watanabe.

IV. À esquerda, Cristobal Balenciaga; á direita, Olivier Theyskens.

V. Modelo desfila look por Hussein Chalayan.

VI. Do desfile de Yohji Yamamoto.

VII. Sapato, o qual fez Naomi Campbell tropeçar na passarela de Vivienne Westwood.

VIII. Outra criação de Hussein Chalayan.


------------------------

Bom, espero ter feito alguma diferença na visão sobre moda dos que acompanharam este e o último post. Agradeço aos que, pelo menos, tentaram compreender minhas idéias, mesmo não compartilhando delas.



Wednesday, February 28, 2007

SIM, Márcia, eu decoraria minha parede com um vestido.

I

Seguinte, minha gente: falarei mais uma vez sobre um tema polêmico, algo que vem me atucanando desde que me interessei por moda. Sim , isso mesmo, MODA, um assunto para o qual muitos torcem o nariz. No último post, havia dito que para a maioria da intelectualidade, as artes plásticas são as menos valorizadas dentre as artes. Pois bem, tratando-se da arte da indumentária, a situação é ainda pior: quase ninguém reconhece o seu valor artístico. Portanto, estou aqui para defender todos os estilistas e criadores deste setor que são vistos com de maneira fútil pela maior parte da população.

Primeiramente, quero difundir aos senhores leitores minha definição geral de arte:

“Arte é tudo aquilo que o homem cria, capaz de tocar alguém de maneira significativa”
Cindi Wolfe*

Ok, mais um impasse: o que é arte para mim pode não ser para outra pessoa, a partir da noção de que mesmo que uma obra me toque, não quer dizer que toca o outro. Assim, como não posso forçar ninguém a sentir o que eu sinto diante de uma vestimenta, apenas defenderei esse sentimento, pois fico indignada com pessoas que, mesmo não tendo uma sensibilidade visual apurada, afirmam piamente que moda, de forma alguma, é arte, esquecendo-se que estão em campo desconhecido. Para piorar a situação, esses mesmos indivíduos acreditam que um Da Vinci é arte, somente por ser, há séculos, reconhecido assim. Portanto, penso que temos o direito de não considerar algo que não nos sensibiliza uma forma de arte mas, da mesma maneira, devemos respeitar tal.





II

Uma das minhas inspirações para esse texto foi um quadro do programa Especial São Paulo Fashion Week, do canal GNT, no qual a apresentadora, artista, filósofa, etc., Márcia Tiburi, lançou a pergunta: “Se moda é arte, você penduraria esse vestido na sua parede, ou mesmo vestiria esse quadro?”*. Quando ouvi aquilo, surtei. Achei o que ela disse um absurdo total, já que uma obra de arte não se limita a um objeto preso na parerde, muito menos tem a decoração como função principal . Também, da mesma forma, a moda não tem como único objetivo vestir as pessoas!

Provavelmente vocês concordaram que arte não serve apenas para decorar paredes, ao menos é o que espero, depois do que escrevi sobre arte contemporânea no post anterior. No entanto, aposto que não é tão fácil digerir que moda não só existe para vestir pessoas. Se tudo que se criasse em termos de indumentária fosse feito para o povo sair usando, o mundo provavelmente não se espantaria a cada vez que visse um desfile, nem se perguntaria: “Quem é que vai usar um torço desses?!” .


É evidente que o surgimento da indumentária nasceu da necessidade de vestir a população. Porém, isso não impede ninguém de expressar-se através da criação, ou até mesmo combinação, de roupas. Estilistas, também são artistas. Eles – digo, os verdadeiros criadores, e não os imitadores – podem até ser sustentados pelas roupas comerciais, mas só fazem isso porque precisam. Já ouvi designers de moda famosíssimos, confessando que seriam muito mais felizes se pudessem criar livremente, sem o peso das tendências que os assombram a cada estação. Todavia, não podem, pois arte, dificilmente, vende.


Ainda assim, essas peças não vendáveis podem ter seu proveito em uma coleção – daí o espanto de muitos ao verem o que as modelos desfilam- servindo para traduzir o conceito desta. Além das roupas conceituais, um desfile pode receber cenário, iluminação, trilha sonora, coreografia, etc, para enfatizar a mensagem da coleção, ou apenas “emoldurá-la”. Com tantos adornos, uma passarela pode se transformar em palco para uma performance artística. Um bom exemplo disso, foi o desfile de Jum Nakao para o verão de 2005, que surpreendeu a todos que o assistiram, não só pelas criações do estilista, feitas inteiramente de papel, mas também pela originalidade da performance, que culmina em um final de grande impacto. http://www.jumnakao.com.br/ci_desfile.htm
http://www.jumnakao.com.br/ci_desfile.htm





III

Na minha opinião, o grande problema que impede as pessoas de levarem a moda a sério são as peruazinhas infiltradas nesse meio, que pensam entender do assunto por vestirem-se sempre com as últimas tendências e terem peças caaaaaaaaarésimas, enquanto que, não tem a mínima noção do processo criativo daquilo que usam e da genialidade de seus criadores. Logo, o que torna, muitas vezes, a moda fútil são certas pessoas envolvidas em seu meio. Por isso, ao analisar uma vestimenta, deve-se fazer o possível para desinserí-la desse contexto “poluído”. Afinal, é bem possível que, se o mesmo vestido que Nicole Kidman usou no Oscar estivesse em um museu, muitas dessas laranjetes*, obcecadas por grifes, ficariam entediadas diante dele, ou mesmo nem o perceberiam.





IV

Por quase último, gostaria de dizer que, assim como um sapato pode ser completamente desprovido de arte, um quadro também pode ser, ou mesmo um livro, um filme, uma peça, uma música, etc – ou alguém contestará o fato de Kelly Key ser nada além de uma bunda rebolante*?






V


Para não terminar, prometerei, para os que continuam não concordando comigo que moda possa ser arte, mas não desistiram de um dia concordar; que na próxima passada por aqui, postarei algumas imagens, as quais possam fazê-los mudar de opinião, ou pelo menos respeitar a minha.




---------------------------

I*Peço perdão se alguém já havia formulado esta definição anteriormente mas, como (também) surgiu da minha cabeça, digo ela ser de minha autoria.

II* Confesso que, até senti pena da Márcia, uma mulher inteligentíssima, porque sei que aquela frase não surgiu da cabecinha dela – espero.

III* As laranjetes são aquelas meninas/mulheres obcecadas por um corpinho dourado que acabam extrapolando e ficando “discretamente” artificiais, tendo, além disso, muitas futilidades em comum.

IV* Antes que alguém se manifeste, eu admito: ela também tem dois peitos lindamente siliconados e uma vozinha invejavelmente irritante. Infelizmente, seus atributos não são suficientes:ela não faz arte.

Tuesday, December 12, 2006

Vamos ao que interessa nessa vida: ARTE. Como essa palavra abrange muitas coisas, devo avisá-los que falarei das plásticas/visuais, seja lá como queiram chamar. Não entendo o porquê, mas este é justamente o tipo de arte mais rejeitado pelo povo – e não me refiro apenas às pessoas menos instruídas, mas também aos intelectuais. Mas, tudo bem, não é todo mundo que é tocado apenas por uma imagem (“nada mais monótono do que ficar parado na frente de uma tela em um museu... pelamordedeus!”) e além do mais, cada um com suas preferências.
Na verdade, o conceito de artes plásticas, hoje em dia, não se limita a um quadro, nem mesmo a uma imagem, afinal, pense bem: as instalações podem possibilitar uma experiência sonora além de visual , como no caso da vídeo-instalação, ou ligada a qualquer outro sentido (olfato, tato, etc.). Poderia escrever um post inteiro falando de como cada vez menos podemos categorizar as diferentes modalidades das artes, já que estas estão cada vez mais “miscigenadas”, mas falarei do que tanto me “atucana”: a indignação das pessoas diante da arte contemporânea.

Primeira coisa, caros e caras: sei que não posso esperar que entendam o que é visto na Bienal ou em qualquer exposição de arte contemporânea, pois a arte está sempre a frente do seu tempo e portanto, nunca é bem compreendida por seus contemporâneos. Porém, tentem acreditar que não é preciso entendê-la para apreciá-la, mas simplesmente sensibilizar-se com esta. Assim, posicionarei-me na intenção de amenizar essa revolta na cabeça de (quase) todos.

Antes de começar meu discurso, uma pergunta: De onde tiraram que a arte, para ter qualidade, tem de mostrar que o artista desgastou-se fazendo a obra? Ou então, quem disse que para ser bom tem de ser perfeito?! É, infelizmente, como minha professora de artes do Anchieta disse, até hoje há gente que diga que Picasso é uma porcaria, justificando-se com algo do tipo: “esses rabiscos, até eu faço.” Agora, parafraseando minha outra professora de artes e mestra, Nerê Preto, pergunto-lhes: “Ah é?Então por que não faz?”. Conhecendo a opinião da grande maioria a respeito do artista espanhol que acabei de citar, admito que não mais me surpreendo com a reação do público ao olhar uma instalação ou qualquer objeto de arte contemporânea, afinal, se, para este, nem o cubismo “presta”, nada mais digno de depreciação que as criações atuais .

Todavaia, compreendam, por favor, uma coisa: a qualidade não está apenas na perfeição, mas também na originalidade. Às vezes, um “arteiro” pode até não passar tanto trabalho na execução de uma obra, enquanto que na elaboração desta, no desenvolvimento da idéia em si, não poupa esforços. Portanto, valorizemos a criatividade! Se há algo que me encanta na arte atual é a liberdade que os criadores têm para expôr suas idéias sem medo, permitindo um livre-fluxo de pensamentos e assim muito maior espontaneidade. Do meu ponto de vista, nada pode ser mais verdadeiro do que o que vier de dentro daquele que cria, sem medo e proibições.

Mas, tudo bem, tudo bem, havemos de convir que também há muita porcaria na arte de hoje em dia. Por exemplo, vamos supôr que eu simplesmente pegasse um papelzinho de chiclete Trident e colasse em uma parede branca, afirmando isso ser a mais pura arte, através de uma bela explicação cheia de palavras pomposas que mais confundissem do que esclarecessem o entendimento dessa obra. Isso, realmente, seria o fim, admito. Talvez o principal problema da arte contemporânea seja a sua literalização. Este fenômeno, conforme Tom Wolfe conta-nos em A PALAVRA PINTADA (sim, daí mesmo que eu tirei o título – LEIAM!) começou desde o início da pintura moderna, quando os críticos começaram a intrometer-se demasiadamente no processo de criação, e foi crescendo até o ponto em que a teoria passou a valer mais que a obra em si, ou seja, a obra poderia até não ser das melhores enquanto sozinha, mas, acompanhada de sua aliadinha (ou não), a palavra, passaria a obter seu mérito. Absurdo, né? Bom, lá vou eu a transcrever trechos (manias, perdão):


‘“O realismo não carece de adeptos, mas carece, visivelmente, de uma teoria convincente. E dada a natureza do nosso intercâmbio intelectual com as obras de arte, carecer de uma teoria convincente é carecer de algo crucial – o meio pelo qual a nossa experiência de obras individuais se soma à nossa compreensão dos valores que elas simbolizam”.
.........
O que via diante de mim era o crítico-chefe do The New York Times dizendo: na observação de uma pintura, hoje, “carecer de uma teoria convincente é carecer de algo cruical”. Tornei a ler. Não dizia é “algo desejável” ou “que enriquece” ou mesmo “extremamente valioso”. Não, a palavra era crucial.
Em suma: francamente, nos dias que correm, sem uma teoria para endossá-la, é impossível ver uma pintura.’
.....
Todos esses anos,em suma, eu presumira que em arte, ao menos, ver é crer. Ora - como fui míope! Agora, finalmente, em 28 de abril de 1974, era capaz de ver. Entendera a frase às avessas o tempo todo. Não era “ver é crer”, seu bobalhão, mas “crer é ver” , pois a Arte Moderna se tornou inteiramente literária: as pinturas e outras obras só existem para ilustar o texto.’

Relendo o que acabei de escrever, tenho certeza que aqueles que já não gostavam da arte contemporânea, passaram a odiá-la, só pelo último parágrafo que escrevi e pelo trecho do Tom Wolfe. Ainda assim, permaneço em defesa desta, pois acho que se for boa, nos possibilitará experiências sensoriais maravilhosas, independente do texto que a acompanhar. Desta maneira, devemos, acredito, primeiramente, olhar para um objeto exposto e tentar “vivê-lo”. Se ele exercer algum efeito significativo em nós, isolado de sua teoria, seja instigando-nos, agradando-nos, etc, poderemos pensar nesta. Porém, se querem mesmo saber, tenho uma preguiça inexorável de ler as explicações e críticas relacionadas à arte – satisfaço-me plenamente enquanto meus sentidos estiverem saciados.



Dedico este texto à Sabrina, encurralada no Renascimento (sem ofensas, Sabrininha).

Espero não ter ofendido, irritado ou confundido ninguém.

Se pareci ambivalente, lamento, mas é impossível falar de arte sem se deparar com paradoxos.



Atenciosamente,

Cindi Wolfe.

Tuesday, November 28, 2006

Férias com Billy Pilgrim

Fim de tarefas escolares- louvado seja o Senhor Meu Esforço. Logo, hoje é dia de comemorações.
Minha primeira ação comemorativa foi retomar a leitura do Salaughterhouse-Five, que acabou me surpreendendo por contar da maneira mais debochada a história de um homenzinho esquisito e atrapalhado, daqueles de dar pena, chamdo Billy Pilgrim, que participou da II Guerra. De fato, o livro é um dos clássicos anti-guerra da litetratura, mas ao ler isso, quando me emprestaram o livro, esperava uma história séria, com clima tenso e tudo mais. Mas, onde eu estava com a cabeça? Até parece que o Kurt Vonnegut escreveria qualquer coisa sem uma boa pitada de humor.
Conheçam um pouco do protagonista:
“Billy was born in Illium, New York, , the only child of a barber there. He was funny-looking child who became a funny-looking youth - tall and weak, and shaped like a bottle of Coca-Cola. He graduated from Ilium High School in the upper third of his class, and attended night sessions at the Ilium School of Optometry for one semester before being drafted for military service in the Second World War. His father in a haunting accident during the war. So it goes.”
Então, durante a Guerra, Billy Pilgrim começa a viajar pelo tempo:
“Billy is spastic in time, has no control over where he is going next, and the trips aren´t necessarily fun. He is in a constant state of stage fright, he says, because he never knows what part of his life he is going to have to act in next.”
Depois da Guerra, Billy Pilgrim fica noivo e após algum tempo tem um colapso nervoso (“a mild nervous collapse”) . Recuperando-se da tragédia, Billy fica rico e sua esposa ganha dois filhos: Barbara e Robert.
Infelizmente, nosso protagonista, a caminho de uma convenção internacional de “optometrists”, sofre com um acidente de avião. Todavia, é um homem sadio e recupera-se logo, voltando para casa em Ilium, mas não permanecendo por lá muito tempo:
“And then, without warning, Billy went to New York City, and got on an all-night radio program devoted to talk. He told about having come unstuck in time . He said, too, that he had been kidnapped by a flying saucer in 1967. The saucer was from the planet of Tralfamadore, he said. He was taken to Tralfamadore, where he was displayed naked in a zoo, he said. He was mated there with a former earthling movie star named Montana Wildhack.”
Porém, sem dó nem piedade, sua filhinha querida o arrasta de volta para a monotomia de sua casa e Billy passa a escrever cartas à News Leader de Ilium descrevendo suas experiências fantásticas:
“The most important thing I learned on Tralfamadore was that when a person dies he only appears to die. He is still very much alive in the past, so it is very silly for people to cry at his funeral. All moments, past, present, and future, always have existed, always will exist. The Trafalmadorians can look at all the different moments just the way we can look at a stretch of the Rocky mountains, for instance. They can see how permanent all the moments are, and they can look at any moment that interests them. It is just an illusion we have here on Earth that one moment follows another one, like beads on a string, and that once a moment is gone it is gone forever.”

Bom, e isso já me lembrou duma teoria do Nietzche, mas pararei por aqui com as trafalmadorianas. Na verdade, poderia transcrever a história inteira de Billy por aqui, ou mesma contá-la com minhas palavras (o que a tornaria ainda mais confusa), mas deixarei que os interessados saiam atrás do livro. Por sinal, mais uma coisa a respeito deste que achei muito interessante: o livro também é conhecido como The Childrens Crussade (ao abrir o livro, pode-se ler: “Slaughterhouse-Five or The Childrens Crusade – a duty dance with death by Kurt Vonnegut, Jr.” ) . A Princípio, não entendi, mas no primeiro capítulo, o autor explica que quando visitou um companheiro de guerra para obter informações úteis ao livro que escrevia, sua esposa, Mary, mostrou-se extremamente irritada com a visita, alegando achar um absurdo escrever um livro “glamurizando” a guerra e fazendo dos que participaram desta grandes heróis:
“You´ll pretend you were men instead of babies, and you´ll be played by Frank Sinatra and John Wayne or some of those other glamorous, war-loving , dirty old men. And war will look just wonderful, so we’ll have a lot more of them. And they will be fought by babies like the babies upstairs.”
Claro que o Vonnegut não pretendia fazer da guerra um orgulho para o povo estado-unidense em sua obra, mas, mesmo assim, prometeu a ela que não haveria nada de glamuroso no livro e que este teria como nome “The Childrens Crusade”, já que muitos na guerra eram “just babies”. Por sinal, o livro também é dedicado à Mary.


Bom , comecei o post falando das minhas ações comemorativas de fim de provas, mas acabei voltando todo o enfoque para o livro que voltei a ler . Outro dia falo do retorno à aula de artes, que também me fez muitíssimo bem.