Friday, May 30, 2008

A Arte Elitista

Sempre achei as artes visuais as mais incompreendidas. Ao contrário do caminho que a música, o cinema e a literatura seguem, as plásticas tornam-se cada vez mais inacessíveis. E o pior de tudo: parecem se orgulhar disso.

Citarei a Bienal, pela vigésima vez: sua última edição conseguiu ser ainda mais complexa que já era, com obras ainda mais minimalistas e que exigiam elevadíssimo nível de raciocínio e cultura do expectador. Devido a isso, foi polêmica: houve aqueles que amaram e aqueles que odiaram. Eu odiei.

Mas, afinal, por que fazer uma exposição que somente um centésimo da população consegue apreciar. Pra que investir milhões nisso? Qual o retorno, quais os benefícios, que mudança fará na sociedade uma mostra tão elitista? Investe-se muito em algo que agrada a pouquíssimos.

A inspiração desse texto veio, para variar, de uma conversa. Durante ela, pasmei: contaram-me que uma professora do Instituto de Artes da UFRGS afirmou a Bienal ser voltada para colecionadores milionários de arte contemporânea. E disse isso com orgulho. Ouquei. Então por que defende-se tanto essa exposição como um tobjeto de prestígio cultural do Mercosul (que nem mais deste pode ser considerada, afinal, globalizou-se completamente)? Por que não se faz um leilão, bem menos divulgado, para essa minoria e não usa-se os principais espaços de exposição da cidade para expôr obras voltadas ao resto da população?

Não acho que seja necessário impedir a arte de seguir em frente e assim, penso que essas manifestações menos digeríveis devem continuar sendo estimuladas para amadurecerem. Porém, para que a população consiga acompanhá-la, deve-se investir em educação artística. Deve-se investir em mostras mais populares, em vez de colocar toda “energia cultural” do estado na Bienal. Talvez se o governo apoiasse a Bienal B, Essa POA é boa, entre outras do gênero, já seria meio caminho andado. Acontece que o Rio Grande do Sul é um dos estados que menos investem em cultura.

Tuesday, April 08, 2008

With a little help from my friends

Estava eu conversando com uma amiga a respeito da influência das drogas na capacidade criativa. Falamos então sobre como sabia-se que, sob o efeito de certas substâncias ilícitas, o inconsciente se apodera do indivíduo e o resultado do que se cria é muito mais original do que seria sem a "mãozinha" da química. Prova disso são os trabalhos de muitos músicos (Beatles e mais um milhão) e artistas plásticos (só mencionei essas duas expressões artísticas, pois meu conhecimento a respeito
disso é ainda mais limitado), como Basquiat.

Veio então à minha cabeça, uma indagação de molho há muito tempo: será que podemos avaliar o talento de um artista através de obras realizadas com a interferência de alucinógenos? Afinal, quem executa a obra nessas circunstâncias, é o subconsciente do artista e não ele, "ao natural", ou seja, lúcido. É incontestável que essa área da nossa mente é parte de nós, bem como o consciente. No entanto, aquele é justamente aquilo em que somos equivalentes , em termos de criatividade (um exemplo disso seriam os sonhos, que repleto de elementos em que nunca pensaríamos quando cônscios). Logo, sob o efeito da maconha, entre outras substâncias ainda mais "poderosas" , somos capazes de descobrir Picassos dentro de nós, tamanho o potencial criativo que suponho desconhecermos (nem todos, é lógico...).

Assim, afirmar que uma obra de arte originada do inconsciente de alguém é incrível, sensacional, mega expressiva, fantástica, poética, intensa, etc, etc, é, segundo Cindi, aceitável. Por outra perspectiva, atribuir a genialidade ao artista que a executou naqueças condições, não me parece justo. Logo, penso que grande mesmo é quem consegue, espontaneamente, digo, lucidamente, transverter o subconsciente para uma obra. Em outras palavras: ser criativo é não precisar daquela "ajudinha" para pôr, sem medo, no papel (ou na mídia que se preferir) o que vier à cabeça.


PS: Eu não odeio os Beatles, nem o Basquiat. Só acho eles meio trapaceiros....

PS II: Utilizei os termos "inconsciente" e "subconsciente" como sinônimos, pois sempre compreendi-os assim. Fui posteriormente pesquisar os significados e não entendi bem do que se tratam. Aceito correções/explicações.

Friday, February 08, 2008

Não sei bem como explicar a sensação borbulhante dentro de mim. Uma vontade enorme de criar, conhecer, aprender, que há muito, por esforços meus, eu não sentia. Isso mesmo, me forcei a não querer tanto, para conseguir descansar, para me permitir viver. Não que eu ache que ter ambições seja algo prejudiocial, só acho que não podemos deixar de viver apenas pensando no que será necessário fazer para concretizar certos planos.

Assim, foi após dois meses de férias antecedidas por um ano cansativo, que encontrei energias para saborear meus pensamentos. Foram muitos desenhos feitos, páginas lidas, e horas dormidas – que há um ano atrás eu não me daria o luxo – para que hoje, chegando em Porto Alegre, me viesse essa vontade tão grande de pôr a mão na massa. E, felizmente, o momento não poderia ser mais adequado: tenho uma semana para organizar meu quarto, arrumar malas e ficar imaginando as maravilhas do Continente Europeu, para onde irei na sexta feira próxima. Logo, daqui pra frente, criar, conhecer e aprender!

Bom, esta foi a minha filosofia de férias.
Por favor, conformem-se.

Espero voltar de viagem com algo mais consistente.

Tuesday, December 04, 2007

Postagem rápida para agradecer, novamente, ao Milton pelo post que escreveu em seu blog e acabou rendendo muitas visitas ao meu.

E para divulgar meu flickr, que não sei se já mencionei aqui:

www.flickr.com/photos/cindiwolfe

Quem sentir preguiça de clicar no link, poderá ter acesso aqui mesmo a algumas das imagens publicadas lá:









Monday, October 29, 2007

Bienal do Mercosul: ESCREVER PARA ESCLARECER

Durante praticamente um ano, estive ingenuamente satisfeita, acreditando ter finalmente encontrado a minha solução para o problema arte contemporânea. Mas, como todos sabem (menos eu, que frustração após frustração, "re-emburreço"), a felicidade dura pouco. Pois é, e lá está a Cindi,novamente, quebrando a cabeça para tentar definir sua opinião.

Lembram da minha definição de arte? Provavelmente não, porque nem todo mundo tem saco para ler meus posts giganetescos. Portanto, para os preguiçosos ou atrasados, é a seguinte: “Arte é tudo aquilo que o homem cria, capaz de tocar alguém de maneira significativa”. Pois bem, fui eu então visitar a mostra da Bienal do Mercosul que se encontra no Santander Cultural, baseando-me nesse conceito. Durante a visita, começou a crescer uma certa indignação em mim, afinal, nada daquilo me tocava de maneira alguma. As únicas pessoas que pareciam tocadas pela obra eram aquelas que compreendiam as "charadas" propostas pelo artista. Será que eu era muito burra para a arte de Jorge Macchi? Se meu pensamento desesperado estivesse correto,provavelmente minha carreira como artista plástica estaria arruinada, já que eu não me entusiasmava com a obra cuidadosamente escolhida (suponho) pelo tal-tal curador da Bienal do Mercosul.

Saindo da mostra, com a cabeça pegando fogo como costuma ocorrer comigo após degustar exposições, uma conclusão tomou forma: se aquelas obras só emocionavam à minoria que captava a lógica, não tão acessível, da proposta do artista, a exposição seria considerada arte para pouquíssimos. Conseqüentemente, não me surpreenderia se essa Bienal,ainda mais que as anteriores,acabasse causando uma mistura de indignação e desinteresse por arte no povo.



Alguns dias depois, conversei com o curador do espaço cultural da Casa dos bancarios,Cláudio Santana, e, para a minha felicidade, ele, uma pessoa envolvida no meio artístico (participou na organização e planejamento da Bienal B) e pela qual eu tenho grande respeito, concordou comigo em vários aspectos. Falamos sobre aquela história da literalização da arte, que está na minha cabeça desde que li "A Palavra Pintada", de Tom Wolfe, e ele disse algo que resumiu tudo que eu pensava: *"Se qualquer objeto passa a ser arte a partir do momento que se cria um discurso com um novo ponto de vista a respeito daquele, tudo passa a ser arte. Afinal, pode-se inventar uma história sobre qualquer coisa." E a partir dessa conversa, assumi a coragem para manifestar minha opinião de que a **Bienal estava, para meus parâmetros bienalísticos, uma PORCARIA.

A vítima seguinte da discussão foi minha "ídola" e professora de artes, Nerê Preto. Para minha surpresa, a pessoa que me presentou com o livro que originou toda minha indignação com a arte contemporânea discordava de mim. Disse ela: "Tive a mesma sensação que tiveste ao visitar a exposição sem mediação. Na segunda visita, fui guiada e passei a ver tudo sob outra perspectiva, tendo entendido melhor a proposta do artista." Respondi então que a verdadeira arte deve nos tocar de imediato, ou melhor, sem que necessitemos de um manual de instruções; até porque, como prega Tom Wolfe, o texto pode acompanhar a obra e até mesmo valorizá-la, desde que ela não seja dependente desse, como parece-me ocorrer no trabalho de Machi. Foi então que a mestra retorquiu:"Devemos estar abertos para novas propostas.".

Pausa: Será que eu virara uma careta, ultrapassada, daquelas que só falta dizer: "isso até eu faço"?! Comecei a atucanar-me. Mas fiz o possível para manter-me firme com o que acreditava, até que um dia acabei voltando ao Santander.

Dessa vez, estava acompanhada de três pessoas que pareciam discordar de mim. Como já era a segunda vez que visitava a mostra, decidi prestar atenção nas explicações da mediadora solicitada pelo grupo. De fato, a idéia por trás dos trabalhos era bem interessante, tratando de coexistências opostas, do acaso, do lugar, entre outros assuntos. No entanto, nas discussões a respeito da obra, acabei expondo minha opinião. O resultado era: três contra um. A maioria defendia que, sim, qualquer objeto pode ganhar caráter de arte a medida que colocado em um contexto que resulte nessa elevação, como acompanhado de um significado atribuído pelo artista. Respondi então que, se o significado é mais importante que o objeto em questão, está se fazendo literatura e não artes plásticas, afinal, a originalidade está no texto.
De novo me vi cercada: "E porque não utilizar-se da palavra, se essa também pode ser arte? Cinema, música, literatura, etc, são todos arte." Estaria sendo demasiadamente fechada?

Minhas fraquezas e preconceitos foram exteriorizando-se e eu ia reconhecendo-os. Infelizmente, eu também fazia parte do clube dos maníacos por rótulos, que insistem em separar tudo grudando etiquetinhas. E mais: estava presa ao imediatismo de que eu sempre me julguei livre. Afirmo isso pois, ao contrário do que pensava, talvez não seja necessário um manual para interpretar coisas aparentemente non-sense, mas apenas um pouco de paciência. Faltava-me a consciência de que tratando-se da compreensão de uma obra de arte, não tem-se um google search que nos forneça explicações em segundos, de mãos beijadas, mas sim nossa capacidade de dialogar com a arte.

Portanto, a partir de agora, não entrarei em uma exposição de arte contemporânea com a expectativa de ter sensações instantâneas no contato com cada obra, pois aprendi (credo, nesse disurso eu me puxei) que, no meio dessa correria em que vivemos, deveríamos parar um pouco e dedicarmos mais nossa vida à contemplação da arte. E não venha com essa história de que não há tempo sobrando, pois a única reclamação que aceito é a respeito da carência de bancos nas salas dos museus - mas isso é assunto para outro post...



*deixo claro que as palavras dele não foram exatamente essas

Wednesday, October 10, 2007

A seguir, uma reportagem que fiz, há alguns meses, para o que desejava que se tornasse, algum dia, um jornal do colégio escrito por seus alunos:


Anchietanos convivendo com arte

Renata Almeida, Paula Tombini e Bruna Portugal são alunas da terceira série do colégio Anchieta e encontram-se semanalmente, às quartas feiras, em uma escola de artes, o atelier Lola Ufus. Bruna, que aguarda ansiosamente durante a semana para ir ao atelier e tem como castigo, quando não se comporta, ter de ficar em casa no dia da aula de artes; foi a primeira das três amigas que ingressou no lugar, e aos poucos, incentivadas pela empolgação da colega, Paula e Renata iniciaram-se nas aulas de artes extraclasse.
Quando freqüentam o atelier, uma das opções de trabalho preferidas pelas meninas da turma das quartas feiras é fazer casinhas de madeira e sucata. Porém, devido à abundância e diversidade de materiais que encontram no Lola – nome utilizado por muitos alunos para referirem-se ao lugar onde estudam artes – e à liberdade de criação que lá encontram, os pequenos artistas variam em seus projetos, passando também pela pintura, pela colagem, pela técnica papier maché, entre outras.
Uma opção que os alunos têm, quando não estão inspirados a criar algo novo, é “adotar” outro trabalho. A adoção consiste em resgatar uma obra de arte abandonada por outra pessoa e finalizá-la, transformando-a no que agradar ao novo responsável. Assim, as crianças aprendem a aporveitar todas as possibilidades de um material e percebem que “nada se perde, tudo se transforma”.
Outro aspecto que agrada muito à turma em sua aula de artes, além da oportunidade de criar livremente e experimentar novos materiais, é o fato de poder trabalhar em grupo. Assim, o grupo coopera junto trocando idéias e executando-as com o auxílio das professoras Isabel e Nere Preto. Na opinião de Nere, esse tipo de trabalho gera grande entusiasmo entre as meninas, fazendo com que sintam-se corajosas para pôr em prática suas idéias.
Da turma dos mais velhos, participa Paula Portugal, também aluna do Anchieta, na oitava série. Irmã de Bruna, Paula freqüenta o atelier nas segundas feiras e recentemente trabalhou com pintura acrílica em tela, mas já experimentou diversas técnicas. Outra anchietana entre os mais velhos do atelier é Teresa Azevedo, que também está na oitava série. Teresa já faz aulas no Lola Ufus há cinco anos, participa da turma de sexta feira e tem inspirado-se em olhos para desenvolver desenhos, colagens e trabalhar em papier maché. Segundo à artista, duas grandes vantagens da maneira em que se dá o processo de criação no atelier é que permite-se o trabalho em grupo e tem-se liberdade para escolher um tema próprio, trabalhando no ritmo em que se adequar melhor.
A maior parte das alunas, tanto entre a turma dos pequenos (quarta feira) quanto as de segunda e sexta feira, gostaria de ter mais períodos da disciplina de artes no colégio. Isabel Preto, artista plástica e professora no Lola Ufus, mãe de Ramiro Preto de Oliveira, que está na segunda série do colégio Anchieta; afirma ter achado muito interessante os trabalhos desenvolvidos na escola do filho sobre os artistas Frans Krajcberg, Tarsila do Amaral e Joan Miró. Ainda assim, pensa que seria muito benéfico às crianças se tivessem em artes, assim como na disciplina de música, um professor especializado no assunto. Por outro lado, Nere Preto, também professora no atelier, adimite o ensino de artes nas escolas ser, de certa forma, complicado, já que tem-se de avaliar o trabalho de cada aluno, estabelecendo critérios em um contexto muito pouco exato: “As vezes, nos deparamos com trabalhos muito bons, mas fora do proposto e outros que estão de acordo com a proposta, mas pouco nos sensibilizam. Esse é o tipo de situação que torna dificultoso o processo de avaliação de cada aluno no ensino artístico.”.



Atelier Lola Ufus - Tel: (51) 3388-5391 - Av Caçapava, 174 - CEP 90460-130 Petrópolis - Porto Alegre – RS.

Comunidade do Lola Ufus no orkut: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=102566

Thursday, September 06, 2007

O mundo precisa de loucos

Ao pensar neste título, entendam que não considerei loucos os alienados, os “transtornados”, ou qualquer outro “ado” que seria visto por um psiquiatra como doente. Se não fui clara ao definir do que não estou falando, tentarei ser ao explicar do que de fato estou: loucos, para mim, são aqueles que, não se conformando ou se entediando com a realidade, tentam mudar alguma situação através de suas idéias, as quais são vistas, muitas vezes, com “maus olhos”, por serem demasiadamente (ou nem tanto) ousadas e assim desestruturarem o mundo. Portanto, louco foi Picasso, louca foi Frida, louco foi Duchamp, louco foi Mário de Andrade, louca foi Pagu, louco foi Machado de Assis, louco foi Elvis, louca é Rita, louco é Tom Zé, louco foi Lennon, louco foi Sócrates, louco foi Aristóteles, louco foi Newton, louco foi Einstein, louco foi Che, louco foi Martin Luther King, louco é Al Gore, enfim,.... poderia escrever um post inteiro só citando esse monte de loucos (e devo ter esquecido-me de muitos essenciais...) que estão por aí fazendo da nossa rotina mais suportável.

Viram só como eles são mesmo essenciais? Pois é, pena que a maioria das pessoas custa para reconhecer isso. É sempre assim: nos primeiros contatos com a loucura, a desprezamos, ou a ridicularizamos ou, ainda, a menosprezamos. Depois, conforme os outros (sempre eles) vão abrindo espaço a ela, adquirimos um certo interesse para com essa. E não estou falando de algo que acontece apenas em culturas onde predomina a ignorância, isto é, onde a taxa de analfabetismo é altíssima e muitos pensam que os Beatles são americanos- sem falar naqueles que nem mesmo sabem o que o quarteto fazia-; refiro-me a uma realidade que acontece, infelizmente, tanto nos países do Norte como nos países do Sul muito antes de os classificarmos assim. No entanto, é óbvio que, quanto maior a cultura, menor é a tendência de ocorrer tal comportamento. Logo, a regra vale para todos, mas sua propensão varia (“vareia”, nos países subdesenviolvidos).

Como já me desviei do que pretendia escrever, façamos o seguinte: voltemos às personalidades loucas. Citei muitas no primeiro parágrafo e gostaria de mencionar mais uma: Gaby Benedyct, organizadora da Bienal B. Com certeza, como sou artista participante dessa, devo estar parecendo extremamente bajuladora (digo isso levando em conta que tenham compreendido que, na minha opinião, chamar alguém de louco é fazer um elogio). No entanto, é justamente por estar expondo no projeto, que me sinto na obrigação de falar isso. Afinal, foi pela idéia louca de criar uma Bienal paralela à Bienal do Mercosul, inicialmente sem muitas perspectivas e sem recursos financeiros, apenas trabalho voluntário de arteiros e estudantes de arte; que pude (juntamente de outros conhecidos meus que participam) exibir trabalhos com grande visibilidade sem precisar mandar um currículo gigantesco.

Para os que não sabem, a maioria dos salões que tentam introduzir ao público novos talentos, fazem justamente o contrário do que se propõem, pois exigem, para inscrição, que o criador tenha x ao cubo mostras coletivas e y ao quadrado mostras individuais (sendo x maior ou igual a dois e y maior que dois, menor que cinco). Portanto, como pode ser chamado Salão JOVEM Artista aquele que apresenta artistas com uma carreira consideravelmente consolidada? Como abrir espaço para os novos, se apenas os experientes conseguem expor? É assim que pensam estar criando uma cena artística? Por isso é que admiro imensamente a Gaby: “O que me interessa é que haja a construção de um cenário artístico de alguma maneira, que isso aí se oxigene, comece realmente a acontecer, até num parâmetro diferente do existente - ampliar, ampliar olhares.”(http://www.youtube.com/watch?v=xeOJ8TZto7k). Afinal, ela vem mostrando que, para construir esse ambiente, deve-se conceder oportunidades a todos, independentemente de seu histórico, bastando possuir uma atitude de artista – o que está presente em muitos por aí, apenas esperando por um momento de demonstração. Graças a mais uma louca, muitos talentos estão sendo descobertos, e o cenário artístico gaúcho está adquirindo maior consistência.

--------------

Falando em Bienal B e iniciativas altamente beneficentes, não posso deixar de falar de uma outra pessoa, sem a qual eu não estaria tendo essa incrível oportunidade de exposição. Aliás, são duas: Bernardo Ribeiro, meu namorado, e Cláudia Antonini, sua mais-que-boadrasta. Esses dois, além de terem me cativado desde os primeiros contatos, me trouxeram de volta a luz num momento em que tudo parecia perdido. Lá vai a historieta (entenda-se:uma história pequena e não uma de pouca relevância):

Mandei meus trabalhos para a Bienal B na véspera de o prazo para as inscrições esgotar e fui viajar no dia seguinte. Quando voltei, comecei a procurar no site meu nome como artista inscrita e não encontrava de maneira alguma. O tempo foi passando, até que tive a brilhante (ou péssima) idéia de checar meu e-mail. Foi então que descobri que as fotos, necessárias para a minha aceitação e as quais havia mandado juntamente com meu testículo, não haviam chegado ao seu destino. De início, fiquei paralisada, mas, quando “caiu a ficha” , comecei a chorar ininterruptamente.

Liguei então para o meu namorado: “BERNARDOOOOOO!!!!!! NÃO CHEGARAM AS FOTOS! AS INSCRIÇÕES JÁ ACABARAM! POR ISSSO É QUE EU NÃO ESTOU NO SITE! TODO MUNDO VAI PARTICIPAR MENOS EU! NÃO ACREDITOOOOOOOO!!!!!! EU SOU UMA TAPADA!!!!!!” (imaginem isso numa voz de choro quase incompreensível). Coitado. Dizia mil coisas para me consolar e de nada adiantava. Dava infinitas sugestões e eu não aceitava nenhuma. Tentava me fazer enxergar as coisas por outro lado: “Pensa bem, haverá outras oportunidades...”. E nada, nada me acalmava. Decidi desligar, antes que ele também se desesperasse.

Por mais que mandemos as pessoas não fazerem determinadas coisas, é crucial que elas desobedeçam-nos certas vezes. Falo isso pois, apesar de não ter aceitado uma das sugestões do meu namorado amado, que era tentar entrar em contato com os organizadores, ele o fez, apesar de não diretamente. Assim, após finalizarmos a ligação, telefonou para Cláudia e perguntou se ela conhecia alguém da organização da Bienal B, o que era possível, devido à sua formação, trabalho e, é claro, personalidade. Descobriu então, para nossa felicidade, que ela de fato tinha contatos na Bienal B.

Terminada a conversa com a boadrasta, o Bernardo ligou-me dando as boas novas. A partir daí tudo começou a clarear e fui ficando um pouquinho esperançosa, ao mesmo tempo que me sentia constrangida por estar abusando do tempo dos outros. Com o tempo e empenho da dupla que trabalhava a meu favor, foram aparecendo mais e mais notícias boas, até que, tendo a Cláudia conseguido fazer meus *trabalhos, juntamente com um **texto excelente e unanimemente elogiado de sua autoria, chegarem ao pessoal da Bienal B; entrei no site e vi meu nome. A alegria que senti naquele instante foi absurda, digamos que inenarrável. Posso garantir-lhes que nunca houve uma surpresa tão maravilhosa na minha vida. E a gratidão que sinto pelo que ambos fizeram por mim, é enorme, tão-tão que não tenho capacidade de demonstrá-la e o jeito menos ruim que achei de fazer isso foi através desse blog.

* http://www.bienalb.org/index.php?option=com_rsgallery2&Itemid=30&catid=314
** http://www.bienalb.org/index.php?option=com_content&task=view&id=378&Itemid=27

--------------------

O Début

Estava tão atarefada no dia que nem tive tempo de fazer minhas passadinhas rotineiras ao armário da cozinha. Estava tão ansiosa no dia que, quando fui tomar banho, acabei colocando minha calça na cesta de roupas sujas, estando meu celular no bolso daquela (o resto é previsível, para não dizer óbvio). Todavia, estava, acima de tudo, satisfeita: depois de toda aquela trabalheira, do medo de que as coisas não dessem certo, das frustrações, etc, o dia havia chegado, as coisas haviam dado certo e um sonho estava finalmente se concretizando. Portanto, apesar das conseqüências, as duas primeiras sensações de que falei ficaram até gostosas, por decorrerem de algo tão especial.

Felizmente, a inauguração estava borbulhando de pessoas, alguns conhecidos, outros nem tanto. Era tanta coisa acontecendo, tantos pensamentos e emoções, como a de ver presente pessoas que eu gosto muito e que queria muito que estivessem ali, e, simultaneamente, de ver outros que eu nunca tinha visto na vida admirando (ou apenas observando) meu trabalho; que, no meio de tudo isso, imagino que não tenha conseguido dar atenção a todos que eu queria e acabava pipocando de grupinho em grupinho. Mas, peço desculpas, realmente não conseguia raciocinar direito.

Uma das boas surpresas que tive nessa noite foi quando o Milton, um dos únicos comentaristas assíduos desse blog, e a Cláudia, sua companheira, a qual já foi mencionada nesse post, apareceram com um vaso de margaridas. Até aí, tudo bem. Acontece que não se tratava de um vaso de flores convencional, mas sim, de um vaso sanitário. Loucura deles? Também, mas acho que no fundo a culpa foi minha, afinal, eles estavam, na verdade, satisfazendo um desejo meu de longa data. Afirmo isso, porque, no final do ano passado ou ainda no início deste, tive a coragem de contar ao casal um desejo muto “íntimo” meu, que era adquirir o objeto que posteriormente ganharia, com a intenção de plantar algo nesse. Quem mandou ser tão ousada assim? Pois é, mas eu fui e, sinceramente, acabei me dando bem. Cuidarei com muito carinho das margaridas e, quando elas se forem, darei continuidade à obra, fazendo as interferências que brotarem na minha cabeça.

Bom, mais uma vez, as palavras não me bastam para expressar o significado daquele momento (siiiiiiiiim, eu sei que esse post tá a mais pura pieguice), nem a gratidão que sinto para com aqueles que contribuíram para aquela noite e para que aquilo a segue ocorressem bem, desde o Bernardo e a Cláudia na inscrição, passando pelos meus pais e os que se envolveram – e preparem-se: continuarão envolvendo-se – na iluminação da Beijoca e na montagem, até as pessoas que me prestigiaram no vernissage. Super-mega-hiper-agradecimentos a todos!

--------------




Convite da minha exposição




*Pintura que estou expondo




E o vaso!


*ENTREM AÍ:

http://www.hagah.com.br/jsp/default.jsp?newsID=DYNAMIC,com.rbs.hagah.EventDetailsDataServer,detalhes&template=3055.dwt&uf=1&local=1®ionId=1&ingrid=251563&date=4&category=15®ion=R5&query=Bienal%20B

http://www.hagah.com.br/jsp/default.jsp?newsID=DYNAMIC,com.rbs.hagah.EventDetailsDataServer,detalhes&template=3055.dwt&uf=1&local=1®ionId=1&ingrid=251296&date=4&category=15®ion=R5&query=bienal%20b