Sempre achei as artes visuais as mais incompreendidas. Ao contrário do caminho que a música, o cinema e a literatura seguem, as plásticas tornam-se cada vez mais inacessíveis. E o pior de tudo: parecem se orgulhar disso.
Citarei a Bienal, pela vigésima vez: sua última edição conseguiu ser ainda mais complexa que já era, com obras ainda mais minimalistas e que exigiam elevadíssimo nível de raciocínio e cultura do expectador. Devido a isso, foi polêmica: houve aqueles que amaram e aqueles que odiaram. Eu odiei.
Mas, afinal, por que fazer uma exposição que somente um centésimo da população consegue apreciar. Pra que investir milhões nisso? Qual o retorno, quais os benefícios, que mudança fará na sociedade uma mostra tão elitista? Investe-se muito em algo que agrada a pouquíssimos.
A inspiração desse texto veio, para variar, de uma conversa. Durante ela, pasmei: contaram-me que uma professora do Instituto de Artes da UFRGS afirmou a Bienal ser voltada para colecionadores milionários de arte contemporânea. E disse isso com orgulho. Ouquei. Então por que defende-se tanto essa exposição como um tobjeto de prestígio cultural do Mercosul (que nem mais deste pode ser considerada, afinal, globalizou-se completamente)? Por que não se faz um leilão, bem menos divulgado, para essa minoria e não usa-se os principais espaços de exposição da cidade para expôr obras voltadas ao resto da população?
Não acho que seja necessário impedir a arte de seguir em frente e assim, penso que essas manifestações menos digeríveis devem continuar sendo estimuladas para amadurecerem. Porém, para que a população consiga acompanhá-la, deve-se investir em educação artística. Deve-se investir em mostras mais populares, em vez de colocar toda “energia cultural” do estado na Bienal. Talvez se o governo apoiasse a Bienal B, Essa POA é boa, entre outras do gênero, já seria meio caminho andado. Acontece que o Rio Grande do Sul é um dos estados que menos investem em cultura.
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