Viram só como eles são mesmo essenciais? Pois é, pena que a maioria das pessoas custa para reconhecer isso. É sempre assim: nos primeiros contatos com a loucura, a desprezamos, ou a ridicularizamos ou, ainda, a menosprezamos. Depois, conforme os outros (sempre eles) vão abrindo espaço a ela, adquirimos um certo interesse para com essa. E não estou falando de algo que acontece apenas em culturas onde predomina a ignorância, isto é, onde a taxa de analfabetismo é altíssima e muitos pensam que os Beatles são americanos- sem falar naqueles que nem mesmo sabem o que o quarteto fazia-; refiro-me a uma realidade que acontece, infelizmente, tanto nos países do Norte como nos países do Sul muito antes de os classificarmos assim. No entanto, é óbvio que, quanto maior a cultura, menor é a tendência de ocorrer tal comportamento. Logo, a regra vale para todos, mas sua propensão varia (“vareia”, nos países subdesenviolvidos).
Como já me desviei do que pretendia escrever, façamos o seguinte: voltemos às personalidades loucas. Citei muitas no primeiro parágrafo e gostaria de mencionar mais uma: Gaby Benedyct, organizadora da Bienal B. Com certeza, como sou artista participante dessa, devo estar parecendo extremamente bajuladora (digo isso levando em conta que tenham compreendido que, na minha opinião, chamar alguém de louco é fazer um elogio). No entanto, é justamente por estar expondo no projeto, que me sinto na obrigação de falar isso. Afinal, foi pela idéia louca de criar uma Bienal paralela à Bienal do Mercosul, inicialmente sem muitas perspectivas e sem recursos financeiros, apenas trabalho voluntário de arteiros e estudantes de arte; que pude (juntamente de outros conhecidos meus que participam) exibir trabalhos com grande visibilidade sem precisar mandar um currículo gigantesco.
Para os que não sabem, a maioria dos salões que tentam introduzir ao público novos talentos, fazem justamente o contrário do que se propõem, pois exigem, para inscrição, que o criador tenha x ao cubo mostras coletivas e y ao quadrado mostras individuais (sendo x maior ou igual a dois e y maior que dois, menor que cinco). Portanto, como pode ser chamado Salão JOVEM Artista aquele que apresenta artistas com uma carreira consideravelmente consolidada? Como abrir espaço para os novos, se apenas os experientes conseguem expor? É assim que pensam estar criando uma cena artística? Por isso é que admiro imensamente a Gaby: “O que me interessa é que haja a construção de um cenário artístico de alguma maneira, que isso aí se oxigene, comece realmente a acontecer, até num parâmetro diferente do existente - ampliar, ampliar olhares.”(http://www.youtube.com/watch?v=xeOJ8TZto7k). Afinal, ela vem mostrando que, para construir esse ambiente, deve-se conceder oportunidades a todos, independentemente de seu histórico, bastando possuir uma atitude de artista – o que está presente em muitos por aí, apenas esperando por um momento de demonstração. Graças a mais uma louca, muitos talentos estão sendo descobertos, e o cenário artístico gaúcho está adquirindo maior consistência.
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Falando em Bienal B e iniciativas altamente beneficentes, não posso deixar de falar de uma outra pessoa, sem a qual eu não estaria tendo essa incrível oportunidade de exposição. Aliás, são duas: Bernardo Ribeiro, meu namorado, e Cláudia Antonini, sua mais-que-boadrasta. Esses dois, além de terem me cativado desde os primeiros contatos, me trouxeram de volta a luz num momento em que tudo parecia perdido. Lá vai a historieta (entenda-se:uma história pequena e não uma de pouca relevância):
Mandei meus trabalhos para a Bienal B na véspera de o prazo para as inscrições esgotar e fui viajar no dia seguinte. Quando voltei, comecei a procurar no site meu nome como artista inscrita e não encontrava de maneira alguma. O tempo foi passando, até que tive a brilhante (ou péssima) idéia de checar meu e-mail. Foi então que descobri que as fotos, necessárias para a minha aceitação e as quais havia mandado juntamente com meu testículo, não haviam chegado ao seu destino. De início, fiquei paralisada, mas, quando “caiu a ficha” , comecei a chorar ininterruptamente.
Liguei então para o meu namorado: “BERNARDOOOOOO!!!!!! NÃO CHEGARAM AS FOTOS! AS INSCRIÇÕES JÁ ACABARAM! POR ISSSO É QUE EU NÃO ESTOU NO SITE! TODO MUNDO VAI PARTICIPAR MENOS EU! NÃO ACREDITOOOOOOOO!!!!!! EU SOU UMA TAPADA!!!!!!” (imaginem isso numa voz de choro quase incompreensível). Coitado. Dizia mil coisas para me consolar e de nada adiantava. Dava infinitas sugestões e eu não aceitava nenhuma. Tentava me fazer enxergar as coisas por outro lado: “Pensa bem, haverá outras oportunidades...”. E nada, nada me acalmava. Decidi desligar, antes que ele também se desesperasse.
Por mais que mandemos as pessoas não fazerem determinadas coisas, é crucial que elas desobedeçam-nos certas vezes. Falo isso pois, apesar de não ter aceitado uma das sugestões do meu namorado amado, que era tentar entrar em contato com os organizadores, ele o fez, apesar de não diretamente. Assim, após finalizarmos a ligação, telefonou para Cláudia e perguntou se ela conhecia alguém da organização da Bienal B, o que era possível, devido à sua formação, trabalho e, é claro, personalidade. Descobriu então, para nossa felicidade, que ela de fato tinha contatos na Bienal B.
Terminada a conversa com a boadrasta, o Bernardo ligou-me dando as boas novas. A partir daí tudo começou a clarear e fui ficando um pouquinho esperançosa, ao mesmo tempo que me sentia constrangida por estar abusando do tempo dos outros. Com o tempo e empenho da dupla que trabalhava a meu favor, foram aparecendo mais e mais notícias boas, até que, tendo a Cláudia conseguido fazer meus *trabalhos, juntamente com um **texto excelente e unanimemente elogiado de sua autoria, chegarem ao pessoal da Bienal B; entrei no site e vi meu nome. A alegria que senti naquele instante foi absurda, digamos que inenarrável. Posso garantir-lhes que nunca houve uma surpresa tão maravilhosa na minha vida. E a gratidão que sinto pelo que ambos fizeram por mim, é enorme, tão-tão que não tenho capacidade de demonstrá-la e o jeito menos ruim que achei de fazer isso foi através desse blog.
* http://www.bienalb.org/index.php?option=com_rsgallery2&Itemid=30&catid=314
** http://www.bienalb.org/index.php?option=com_content&task=view&id=378&Itemid=27
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O Début
Estava tão atarefada no dia que nem tive tempo de fazer minhas passadinhas rotineiras ao armário da cozinha. Estava tão ansiosa no dia que, quando fui tomar banho, acabei colocando minha calça na cesta de roupas sujas, estando meu celular no bolso daquela (o resto é previsível, para não dizer óbvio). Todavia, estava, acima de tudo, satisfeita: depois de toda aquela trabalheira, do medo de que as coisas não dessem certo, das frustrações, etc, o dia havia chegado, as coisas haviam dado certo e um sonho estava finalmente se concretizando. Portanto, apesar das conseqüências, as duas primeiras sensações de que falei ficaram até gostosas, por decorrerem de algo tão especial.
Felizmente, a inauguração estava borbulhando de pessoas, alguns conhecidos, outros nem tanto. Era tanta coisa acontecendo, tantos pensamentos e emoções, como a de ver presente pessoas que eu gosto muito e que queria muito que estivessem ali, e, simultaneamente, de ver outros que eu nunca tinha visto na vida admirando (ou apenas observando) meu trabalho; que, no meio de tudo isso, imagino que não tenha conseguido dar atenção a todos que eu queria e acabava pipocando de grupinho em grupinho. Mas, peço desculpas, realmente não conseguia raciocinar direito.
Uma das boas surpresas que tive nessa noite foi quando o Milton, um dos únicos comentaristas assíduos desse blog, e a Cláudia, sua companheira, a qual já foi mencionada nesse post, apareceram com um vaso de margaridas. Até aí, tudo bem. Acontece que não se tratava de um vaso de flores convencional, mas sim, de um vaso sanitário. Loucura deles? Também, mas acho que no fundo a culpa foi minha, afinal, eles estavam, na verdade, satisfazendo um desejo meu de longa data. Afirmo isso, porque, no final do ano passado ou ainda no início deste, tive a coragem de contar ao casal um desejo muto “íntimo” meu, que era adquirir o objeto que posteriormente ganharia, com a intenção de plantar algo nesse. Quem mandou ser tão ousada assim? Pois é, mas eu fui e, sinceramente, acabei me dando bem. Cuidarei com muito carinho das margaridas e, quando elas se forem, darei continuidade à obra, fazendo as interferências que brotarem na minha cabeça.
Bom, mais uma vez, as palavras não me bastam para expressar o significado daquele momento (siiiiiiiiim, eu sei que esse post tá a mais pura pieguice), nem a gratidão que sinto para com aqueles que contribuíram para aquela noite e para que aquilo a segue ocorressem bem, desde o Bernardo e a Cláudia na inscrição, passando pelos meus pais e os que se envolveram – e preparem-se: continuarão envolvendo-se – na iluminação da Beijoca e na montagem, até as pessoas que me prestigiaram no vernissage. Super-mega-hiper-agradecimentos a todos!
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Convite da minha exposição

*Pintura que estou expondo
E o vaso!
*ENTREM AÍ:
http://www.hagah.com.br/jsp/default.jsp?newsID=DYNAMIC,com.rbs.hagah.EventDetailsDataServer,detalhes&template=3055.dwt&uf=1&local=1®ionId=1&ingrid=251563&date=4&category=15®ion=R5&query=Bienal%20B
http://www.hagah.com.br/jsp/default.jsp?newsID=DYNAMIC,com.rbs.hagah.EventDetailsDataServer,detalhes&template=3055.dwt&uf=1&local=1®ionId=1&ingrid=251296&date=4&category=15®ion=R5&query=bienal%20b
6 comments:
Ai amada, tu sabe por que eu te desobedeci, né? Como a resposta é obvia...
acho que mais de 50% do trabalho de te por lá dentro foi culpa da cláudia, então, vamos agradecer a ela....
Tu merece! Vai lá arrasa!!!
beijo meu amor!
de nada, foi um prazer!
8D
Uau, acabei de ler esse post e percebi que escreves muito bem! Realmente, foi muito bom eu ter lido esse capítulo do teu blog para me dar conta de algumas coisas sobre meu próprio. Me inspirei agora.
Parabéns e continue o bom trablho.
Puxa Carolina, meus olhos encheram de lágrimas e minha garganta apertou ao ler todo esse post e compartilhar de tantas emoções tão importantes. Você escreve lindamente, sinceramente, e pieguice por pieguice, também assumi com todas as letras minha pieguice de acreditar que coisas como a Bienal B são possíveis.
Não acredite em quem desdenhe de sentimentos verdadeiros. Abrir o coração é o que dá vida ao mundo e faz a vida valer a pena. Também tenho minhas inseguranças e teve horas que você me olhava quieta e pensei que você estava me achando uma doida no mau sentido...rsrsrsr
Me lembro bem de sua inscrição, dos apelos de Claudia e me lembro que a grande diferença para te ver com outros olhos foi ter lido seu blog, a forma como você escreve. Amei sua arte e respeito muito seu jeito de ser. Fico muiiinto feliz de ter você na Bienal B. Tens muita sensibilidade e tuas palavras podem ir muito longe. Tenha respeito pelos teus dons e os desenvolva, pois acredito muito no teu destino de grandeza e loucura -essa de que você fala e temos.
Isso é o maravilhoso da Bienal B, a oportunidade de conhecer pessoas como você, Bernardo e Claudia.
Parabéns, bom trabalho e boa sorte.
P.S. Eu não sabia que vc tinha escrito sobre a Bienal B, estava olhando no google o que aparecia sobre a bienal b e achei seu texto... :)
Assim como a Gaby eu não sabia que tinhas escrito tudo isso.... Me deixaste ao mesmo tempo emocionada e constrangida mas, sem dúvida nenhuma ... muiiiiiiiiiito feliz. Vou mostrar para o Milton. Ah! Apesar de eu ser do tipo low profile, ou seja gosto de participar ativamente das coisas mas depois fico quietinha no meu canto, e de odiar fotos minhas, gostei muito da foto do vernissage. Poderias me mandar com definição alta para eu guardar no meu álbum? Muito bons os trabalhos que colocaste no novo(?)flickr. Bjs. The good stepmother.
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