Wednesday, October 10, 2007

A seguir, uma reportagem que fiz, há alguns meses, para o que desejava que se tornasse, algum dia, um jornal do colégio escrito por seus alunos:


Anchietanos convivendo com arte

Renata Almeida, Paula Tombini e Bruna Portugal são alunas da terceira série do colégio Anchieta e encontram-se semanalmente, às quartas feiras, em uma escola de artes, o atelier Lola Ufus. Bruna, que aguarda ansiosamente durante a semana para ir ao atelier e tem como castigo, quando não se comporta, ter de ficar em casa no dia da aula de artes; foi a primeira das três amigas que ingressou no lugar, e aos poucos, incentivadas pela empolgação da colega, Paula e Renata iniciaram-se nas aulas de artes extraclasse.
Quando freqüentam o atelier, uma das opções de trabalho preferidas pelas meninas da turma das quartas feiras é fazer casinhas de madeira e sucata. Porém, devido à abundância e diversidade de materiais que encontram no Lola – nome utilizado por muitos alunos para referirem-se ao lugar onde estudam artes – e à liberdade de criação que lá encontram, os pequenos artistas variam em seus projetos, passando também pela pintura, pela colagem, pela técnica papier maché, entre outras.
Uma opção que os alunos têm, quando não estão inspirados a criar algo novo, é “adotar” outro trabalho. A adoção consiste em resgatar uma obra de arte abandonada por outra pessoa e finalizá-la, transformando-a no que agradar ao novo responsável. Assim, as crianças aprendem a aporveitar todas as possibilidades de um material e percebem que “nada se perde, tudo se transforma”.
Outro aspecto que agrada muito à turma em sua aula de artes, além da oportunidade de criar livremente e experimentar novos materiais, é o fato de poder trabalhar em grupo. Assim, o grupo coopera junto trocando idéias e executando-as com o auxílio das professoras Isabel e Nere Preto. Na opinião de Nere, esse tipo de trabalho gera grande entusiasmo entre as meninas, fazendo com que sintam-se corajosas para pôr em prática suas idéias.
Da turma dos mais velhos, participa Paula Portugal, também aluna do Anchieta, na oitava série. Irmã de Bruna, Paula freqüenta o atelier nas segundas feiras e recentemente trabalhou com pintura acrílica em tela, mas já experimentou diversas técnicas. Outra anchietana entre os mais velhos do atelier é Teresa Azevedo, que também está na oitava série. Teresa já faz aulas no Lola Ufus há cinco anos, participa da turma de sexta feira e tem inspirado-se em olhos para desenvolver desenhos, colagens e trabalhar em papier maché. Segundo à artista, duas grandes vantagens da maneira em que se dá o processo de criação no atelier é que permite-se o trabalho em grupo e tem-se liberdade para escolher um tema próprio, trabalhando no ritmo em que se adequar melhor.
A maior parte das alunas, tanto entre a turma dos pequenos (quarta feira) quanto as de segunda e sexta feira, gostaria de ter mais períodos da disciplina de artes no colégio. Isabel Preto, artista plástica e professora no Lola Ufus, mãe de Ramiro Preto de Oliveira, que está na segunda série do colégio Anchieta; afirma ter achado muito interessante os trabalhos desenvolvidos na escola do filho sobre os artistas Frans Krajcberg, Tarsila do Amaral e Joan Miró. Ainda assim, pensa que seria muito benéfico às crianças se tivessem em artes, assim como na disciplina de música, um professor especializado no assunto. Por outro lado, Nere Preto, também professora no atelier, adimite o ensino de artes nas escolas ser, de certa forma, complicado, já que tem-se de avaliar o trabalho de cada aluno, estabelecendo critérios em um contexto muito pouco exato: “As vezes, nos deparamos com trabalhos muito bons, mas fora do proposto e outros que estão de acordo com a proposta, mas pouco nos sensibilizam. Esse é o tipo de situação que torna dificultoso o processo de avaliação de cada aluno no ensino artístico.”.



Atelier Lola Ufus - Tel: (51) 3388-5391 - Av Caçapava, 174 - CEP 90460-130 Petrópolis - Porto Alegre – RS.

Comunidade do Lola Ufus no orkut: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=102566

Thursday, September 06, 2007

O mundo precisa de loucos

Ao pensar neste título, entendam que não considerei loucos os alienados, os “transtornados”, ou qualquer outro “ado” que seria visto por um psiquiatra como doente. Se não fui clara ao definir do que não estou falando, tentarei ser ao explicar do que de fato estou: loucos, para mim, são aqueles que, não se conformando ou se entediando com a realidade, tentam mudar alguma situação através de suas idéias, as quais são vistas, muitas vezes, com “maus olhos”, por serem demasiadamente (ou nem tanto) ousadas e assim desestruturarem o mundo. Portanto, louco foi Picasso, louca foi Frida, louco foi Duchamp, louco foi Mário de Andrade, louca foi Pagu, louco foi Machado de Assis, louco foi Elvis, louca é Rita, louco é Tom Zé, louco foi Lennon, louco foi Sócrates, louco foi Aristóteles, louco foi Newton, louco foi Einstein, louco foi Che, louco foi Martin Luther King, louco é Al Gore, enfim,.... poderia escrever um post inteiro só citando esse monte de loucos (e devo ter esquecido-me de muitos essenciais...) que estão por aí fazendo da nossa rotina mais suportável.

Viram só como eles são mesmo essenciais? Pois é, pena que a maioria das pessoas custa para reconhecer isso. É sempre assim: nos primeiros contatos com a loucura, a desprezamos, ou a ridicularizamos ou, ainda, a menosprezamos. Depois, conforme os outros (sempre eles) vão abrindo espaço a ela, adquirimos um certo interesse para com essa. E não estou falando de algo que acontece apenas em culturas onde predomina a ignorância, isto é, onde a taxa de analfabetismo é altíssima e muitos pensam que os Beatles são americanos- sem falar naqueles que nem mesmo sabem o que o quarteto fazia-; refiro-me a uma realidade que acontece, infelizmente, tanto nos países do Norte como nos países do Sul muito antes de os classificarmos assim. No entanto, é óbvio que, quanto maior a cultura, menor é a tendência de ocorrer tal comportamento. Logo, a regra vale para todos, mas sua propensão varia (“vareia”, nos países subdesenviolvidos).

Como já me desviei do que pretendia escrever, façamos o seguinte: voltemos às personalidades loucas. Citei muitas no primeiro parágrafo e gostaria de mencionar mais uma: Gaby Benedyct, organizadora da Bienal B. Com certeza, como sou artista participante dessa, devo estar parecendo extremamente bajuladora (digo isso levando em conta que tenham compreendido que, na minha opinião, chamar alguém de louco é fazer um elogio). No entanto, é justamente por estar expondo no projeto, que me sinto na obrigação de falar isso. Afinal, foi pela idéia louca de criar uma Bienal paralela à Bienal do Mercosul, inicialmente sem muitas perspectivas e sem recursos financeiros, apenas trabalho voluntário de arteiros e estudantes de arte; que pude (juntamente de outros conhecidos meus que participam) exibir trabalhos com grande visibilidade sem precisar mandar um currículo gigantesco.

Para os que não sabem, a maioria dos salões que tentam introduzir ao público novos talentos, fazem justamente o contrário do que se propõem, pois exigem, para inscrição, que o criador tenha x ao cubo mostras coletivas e y ao quadrado mostras individuais (sendo x maior ou igual a dois e y maior que dois, menor que cinco). Portanto, como pode ser chamado Salão JOVEM Artista aquele que apresenta artistas com uma carreira consideravelmente consolidada? Como abrir espaço para os novos, se apenas os experientes conseguem expor? É assim que pensam estar criando uma cena artística? Por isso é que admiro imensamente a Gaby: “O que me interessa é que haja a construção de um cenário artístico de alguma maneira, que isso aí se oxigene, comece realmente a acontecer, até num parâmetro diferente do existente - ampliar, ampliar olhares.”(http://www.youtube.com/watch?v=xeOJ8TZto7k). Afinal, ela vem mostrando que, para construir esse ambiente, deve-se conceder oportunidades a todos, independentemente de seu histórico, bastando possuir uma atitude de artista – o que está presente em muitos por aí, apenas esperando por um momento de demonstração. Graças a mais uma louca, muitos talentos estão sendo descobertos, e o cenário artístico gaúcho está adquirindo maior consistência.

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Falando em Bienal B e iniciativas altamente beneficentes, não posso deixar de falar de uma outra pessoa, sem a qual eu não estaria tendo essa incrível oportunidade de exposição. Aliás, são duas: Bernardo Ribeiro, meu namorado, e Cláudia Antonini, sua mais-que-boadrasta. Esses dois, além de terem me cativado desde os primeiros contatos, me trouxeram de volta a luz num momento em que tudo parecia perdido. Lá vai a historieta (entenda-se:uma história pequena e não uma de pouca relevância):

Mandei meus trabalhos para a Bienal B na véspera de o prazo para as inscrições esgotar e fui viajar no dia seguinte. Quando voltei, comecei a procurar no site meu nome como artista inscrita e não encontrava de maneira alguma. O tempo foi passando, até que tive a brilhante (ou péssima) idéia de checar meu e-mail. Foi então que descobri que as fotos, necessárias para a minha aceitação e as quais havia mandado juntamente com meu testículo, não haviam chegado ao seu destino. De início, fiquei paralisada, mas, quando “caiu a ficha” , comecei a chorar ininterruptamente.

Liguei então para o meu namorado: “BERNARDOOOOOO!!!!!! NÃO CHEGARAM AS FOTOS! AS INSCRIÇÕES JÁ ACABARAM! POR ISSSO É QUE EU NÃO ESTOU NO SITE! TODO MUNDO VAI PARTICIPAR MENOS EU! NÃO ACREDITOOOOOOOO!!!!!! EU SOU UMA TAPADA!!!!!!” (imaginem isso numa voz de choro quase incompreensível). Coitado. Dizia mil coisas para me consolar e de nada adiantava. Dava infinitas sugestões e eu não aceitava nenhuma. Tentava me fazer enxergar as coisas por outro lado: “Pensa bem, haverá outras oportunidades...”. E nada, nada me acalmava. Decidi desligar, antes que ele também se desesperasse.

Por mais que mandemos as pessoas não fazerem determinadas coisas, é crucial que elas desobedeçam-nos certas vezes. Falo isso pois, apesar de não ter aceitado uma das sugestões do meu namorado amado, que era tentar entrar em contato com os organizadores, ele o fez, apesar de não diretamente. Assim, após finalizarmos a ligação, telefonou para Cláudia e perguntou se ela conhecia alguém da organização da Bienal B, o que era possível, devido à sua formação, trabalho e, é claro, personalidade. Descobriu então, para nossa felicidade, que ela de fato tinha contatos na Bienal B.

Terminada a conversa com a boadrasta, o Bernardo ligou-me dando as boas novas. A partir daí tudo começou a clarear e fui ficando um pouquinho esperançosa, ao mesmo tempo que me sentia constrangida por estar abusando do tempo dos outros. Com o tempo e empenho da dupla que trabalhava a meu favor, foram aparecendo mais e mais notícias boas, até que, tendo a Cláudia conseguido fazer meus *trabalhos, juntamente com um **texto excelente e unanimemente elogiado de sua autoria, chegarem ao pessoal da Bienal B; entrei no site e vi meu nome. A alegria que senti naquele instante foi absurda, digamos que inenarrável. Posso garantir-lhes que nunca houve uma surpresa tão maravilhosa na minha vida. E a gratidão que sinto pelo que ambos fizeram por mim, é enorme, tão-tão que não tenho capacidade de demonstrá-la e o jeito menos ruim que achei de fazer isso foi através desse blog.

* http://www.bienalb.org/index.php?option=com_rsgallery2&Itemid=30&catid=314
** http://www.bienalb.org/index.php?option=com_content&task=view&id=378&Itemid=27

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O Début

Estava tão atarefada no dia que nem tive tempo de fazer minhas passadinhas rotineiras ao armário da cozinha. Estava tão ansiosa no dia que, quando fui tomar banho, acabei colocando minha calça na cesta de roupas sujas, estando meu celular no bolso daquela (o resto é previsível, para não dizer óbvio). Todavia, estava, acima de tudo, satisfeita: depois de toda aquela trabalheira, do medo de que as coisas não dessem certo, das frustrações, etc, o dia havia chegado, as coisas haviam dado certo e um sonho estava finalmente se concretizando. Portanto, apesar das conseqüências, as duas primeiras sensações de que falei ficaram até gostosas, por decorrerem de algo tão especial.

Felizmente, a inauguração estava borbulhando de pessoas, alguns conhecidos, outros nem tanto. Era tanta coisa acontecendo, tantos pensamentos e emoções, como a de ver presente pessoas que eu gosto muito e que queria muito que estivessem ali, e, simultaneamente, de ver outros que eu nunca tinha visto na vida admirando (ou apenas observando) meu trabalho; que, no meio de tudo isso, imagino que não tenha conseguido dar atenção a todos que eu queria e acabava pipocando de grupinho em grupinho. Mas, peço desculpas, realmente não conseguia raciocinar direito.

Uma das boas surpresas que tive nessa noite foi quando o Milton, um dos únicos comentaristas assíduos desse blog, e a Cláudia, sua companheira, a qual já foi mencionada nesse post, apareceram com um vaso de margaridas. Até aí, tudo bem. Acontece que não se tratava de um vaso de flores convencional, mas sim, de um vaso sanitário. Loucura deles? Também, mas acho que no fundo a culpa foi minha, afinal, eles estavam, na verdade, satisfazendo um desejo meu de longa data. Afirmo isso, porque, no final do ano passado ou ainda no início deste, tive a coragem de contar ao casal um desejo muto “íntimo” meu, que era adquirir o objeto que posteriormente ganharia, com a intenção de plantar algo nesse. Quem mandou ser tão ousada assim? Pois é, mas eu fui e, sinceramente, acabei me dando bem. Cuidarei com muito carinho das margaridas e, quando elas se forem, darei continuidade à obra, fazendo as interferências que brotarem na minha cabeça.

Bom, mais uma vez, as palavras não me bastam para expressar o significado daquele momento (siiiiiiiiim, eu sei que esse post tá a mais pura pieguice), nem a gratidão que sinto para com aqueles que contribuíram para aquela noite e para que aquilo a segue ocorressem bem, desde o Bernardo e a Cláudia na inscrição, passando pelos meus pais e os que se envolveram – e preparem-se: continuarão envolvendo-se – na iluminação da Beijoca e na montagem, até as pessoas que me prestigiaram no vernissage. Super-mega-hiper-agradecimentos a todos!

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Convite da minha exposição




*Pintura que estou expondo




E o vaso!


*ENTREM AÍ:

http://www.hagah.com.br/jsp/default.jsp?newsID=DYNAMIC,com.rbs.hagah.EventDetailsDataServer,detalhes&template=3055.dwt&uf=1&local=1®ionId=1&ingrid=251563&date=4&category=15®ion=R5&query=Bienal%20B

http://www.hagah.com.br/jsp/default.jsp?newsID=DYNAMIC,com.rbs.hagah.EventDetailsDataServer,detalhes&template=3055.dwt&uf=1&local=1®ionId=1&ingrid=251296&date=4&category=15®ion=R5&query=bienal%20b

Sunday, August 12, 2007

Tudo bem: que cigarros têm todo um charme e que são algo muito sexy –se a pessoa souber utilizá-los a seu favor - admito. Agora, como é que surgiu esse glamour decadente das drogas (leia-se as ilícitas, coisinhas mais “pesadas”....), do excesso, da ressaca?! Não entendo. Será que meu senso estético está quadrado, careta demais ou simplesmente desatualizado (tudo menos brega)...? Não, do meu bom gosto estou segura. Afinal, não pode haver beleza numa mistura em que constam uma maquiagem borrada, uma cara de podridão/ressaca/acabei de vomitar, umas roupas enormes e sem a menor preocupação no quesito combinbação, uns rostos chupados, uns ossos aparecendo, uns cabelos mal cuidados...enfim, toda aquela (des)elegância de quem posa para uma foto quase caindo no chão, com equilíbrio apenas para segurar a garrafa e o cigarro. Né?

O primeiro exemplo que eu conheci desse tipo de comportamento/padrão de beleza foi o das gêmeas Mary Kate &Ashley (as Olsen) pós maioridade, que ilustram mais o estilo que o comportamento sobre o qual escrevo esse texto. Pois é, elas: aquelas menininhas que, quando criancinhas e até o início da adolescência costumavam ser as queridinhas dos EUA, por causa de seus filminhos em que se vestiam iguaizinhas, de cabelinho penteadinho e vestidinho abaixo do joelho cor de rosa – isto é, uma de rosinha e outra de azulzinho- cresceram e se rebelaram. Continuam parecidíssimas uma em relação à outra, mas mudaram do 8 para o 80. A pose atual das meninas freqüentadoras das festas mais badaladas(odeio esse termo) entre as celebridades e vips em qualquer evento de moda, caracteriza-se pelo uso de bolsas gigantescas, com óculos gigantescos, roupas gigantescas; enfim, tudo gigantesco sobre corpinhos esqueléticos. E, para completar – havia de ter algo relativo a um vício-, um copo GIGANTE de café da Starbucks.




(Antes)







(depois)

Pois bem: até as Olsen eu não via nada de muito extravagante, afinal, a moda, de uns tempos pra cá, anda meio bagunçada, com liberdade exagerada e essa mania excessiva de high-low. Logo, era de se esperar que algumas pessoas perdessem o bom senso. Porém, tudo mudou quando vi Cory Kennedy. Fiquei pasma. Como pode uma criatura naquele estado virar um ícone de estilo, uma inspiração para tantas adolescentes?! Para onde foram as bonequias dos anos cinqüenta? Me diz! E o que será de Audrey Hepburn daqui em diante? Estou perplexa.

Para não ficarem confusos diante da minha indignação, releiam o primeiro parágrafo desse post, em que descrevi toda estética junkie e em seguida olhem as fotos abaixo, fazendo a relação palavra-imagem. Se não concordarem com a minha decepção e acharem a rainha cool/junkie, extremamente atraente, mais bela que a Vênus, mais sexy que a Marilyn Monroe e que a Brigitte Bardot; por favor, DIGAM/COMENTEM. Caso a maioria dos "comentaristas" (um deles já bastaria para sê-la nesse meu blog baladíssimo) não compreenderem minha perplexidade/revolta, afirmando profundo encanto pelos olhos de ressaca de Cory, concluirei que o mundo está perdido e terei certeza de que todos enlouqueceram. Ou não: passarei a rever meus conceitos estéticos.



hum... fumacinha afrodisíaca....



cabelos defumados: hidrata melhor que escova progressiva.



equilíbrio.



e elegância.



classuda.




gostosura: coxas bem grossas e aquele hálito de ácido clorídrico...



polo negativo.




polo positivo.

Wednesday, May 30, 2007

“Sobre minha maior obsessão/inspiração dos últimos tempos: Maria Antonieta.”

(parte I)

Falarei então sobre essa personalidade e também a respeito do filme de Sofia Copolla baseado em uma de suas biografias.
Começando pelo que mais gosto de fazer, criticarei a revolta das pessoas contra a glamurização desta figura no filme de Copolla. PAREM, pelamordedeus, de dizer que a verdadeira MA era uma gastadeira, egoísta, que tinha seus prazeres a custo da fome dos outros e, por isso, está retratada errôneamente no filme que há pouco saiu de cartaz. Ela até pode ter tido gastos absurdos, mas será mesmo que tinha noção do que suas despesas representavam no país? Sabem que eu ouvi dizer que ela praticava caridade.

E será mesmo que disse: "Se não tem pão, que comam *bolo"? Sinto muito, mas história, na minha opinião, é quase sempre baseada em **fofocas. Talvez até tenha-se uma certeza maior da veracidade de certos fatos, provavelmente os mais recentes ou de que se tem um registro mais preciso. Todavia, poupem-me: ninguém aqui sabe, com exatidão, quem( ou "quens" ) foi o maldito fulano que espalhou para o povo que MA teria dito um absurdo desses e, portanto, se pode-se ou não confiar no tal.
Porém, sendo ou não verdade que ela disse a famosa frase citada, sabemos que, conforme o ditado, "quem conta um conto sempre aumenta um ponto", o que nos leva à conclusão de que, a frase foi certamente alterada nesses mais de duzentos anos desde seu pronunciamento. Já pensou? Devem ter sido milhares de boquinhas e bocões, pertencentes a indivíduos de cabeças pensantes ou ignorantes, das quais essa citação saiu.
Por último, levando em conta a psossibilidade, que me parece mais uma impossibilidade, da rainha da França ter mesmo dito aquilo sobre o que estamos falando, perdoemos a pobrezinha (e não estou sendo irônica!): a coitada (ou sortuda?) era uma alienada, que, com certeza, mal sabia do que se passava fora de Versailles.


*brioches
**e por isso que é tão interessante....
Eu também vou reclamar....

Análise Geral do Filme/ Revolta contra os Críticos Petulantes e Quadradões:

(parte II)

O filme de Sofia Copolla, é,na minha opinião uma obra de arte. E já estamos no ponto X que eu pretendia chegar: sendo um filme artístico, é uma interpretação da diretora em relação a uma personalidade, e não um retrato da vida desta. Portanto, aceita omissões de importantes fatos históricos e não obrigatoriamente tem de se focar nesses. Se a filha de F. F. Copolla dirigiu um filme sobre Maria Antonieta, mulher que reinou na França durante a Queda da Bastilha, e privilegiou o figurino, os cenários, a trilha sonora, ao invés preocupar-se mais com a coerência histórica, pouco me importa(e pouco deveria importar aos malditos críticos). O que acabei de dizer, é que acho o filme maravilhoso, fascinante, enfim, genial, independente das falhas na parte histórica.

Além do mais, em um filme sobre o século XVIII, em que aparece um negro na corte, um all star no meio dos sapatos da rainha, e utiliza-se, especialmente, do rock, incluindo bandas como The Cure, New Order, The Strokes, Bow Wow Wow e etc; na trilha sonora, um retrato fiel da França de Luís XVI sairia um tanto esquisito. O filme dirigido por Sofia Copolla é ousado. É Inovador. É provacante. É encantador. Não ensina o processo da Revolução Francesa à ninguém, mas proporciona uma experiência artísitca fantástica. Não será utilizado, certamente, na disciplina de história, mas, potencialmente, na disciplina de artes.

Parabéns à figurinista, Milena Canonero, que adaptou o figurino do século XVIII, inserindo nele elementos que o tornaram atual, influenciando fortemente a moda do século XXI..*

Parabéns a Brian Reitzell, pela trilha sonora, que gerando contrastes, tornou as cenas ainda mais belas. Perfeito casamento de imagem e som (relação indispensável ao filme)!

E, é claro, parabéns à Sofia Copolla, diretora do filme, que reuiniu uma equipe maravilhosa, fez um belíssimo trabalho, mas, infelizmente, foi mal compreendida (assim como eu, vejam mais adiante!) pela crítica.



*Na parte estética, parabenização também a Jean-Luc Russier (maquiagem), Odile Gilbert (cabelos) e Benoît Peclin (DOCES! Macarrons em especial...).

Thursday, May 17, 2007

Só mais uma coisinha....


O Bolo e a Contradição
(parte III)
Bom, antes que me chamem de ambivalente, indecisa, ou sei lá o quê mais, quero esclarecer um negócio: acabei de afirmar que, na minha opinião, os gastos exorbitantes de Maria Antonieta, eram fruto de uma alienação e portanto, não tratavam-se de uma indiferença da parte dela para com o povo do país onde reinava. Acontece que, neste ano, para a minha festa de aniversário, cuja inspiração era a rainha austríaca sobre a qual estou escrevendo, criei um bolo que acabou sendo mal interpretado.

O bolo consistia no seguinte: três camadas, as duas primeiras (as maiores) formadas por fotos em preto-e-branco que retratavam a miséria , e a terceira (obviamente a menor), sobre a qual estava disposta uma coroa com a frase “Let’em eat cake”, sendo constitúida por fotos coloridas de pessoas ricas usando óculos escuros, ilustrando então a “cegueira” destas diante da injustiça social.

Assim, uma senhora, ao ver o bolo, disse (mais ou menos) o seguinte a respeito da obra: “Mas veja só, é uma crítica ao comportamento egoísta de Maria Antonieta!”. Well, well, well..... infelizmente, fui mal compreendida. Na verdade, as pessoas que selecionei para “participar” da camada superior do bolo, não deveriam dar a impressão de estar gritando: “Gasto, logo existo e não tô nem aí se vocês aí embaixo tão morrendo de fome!!!”, mas sim dizendo: “Gasto, pois existo e não vejo porque deixar de fazer isso.”. Notaram a diferença?

Portanto, meu polêmico e não comestível (apesar dos dizeres da coroa em seu topo) bolo tinha o objetivo de retrar o desconhecimento da parte das minorias em relação a uma situação de vida miserável da qual não participam, mas que existe mesmo assim, e não a “malvadeza” delas. Talvez tenha sido uma falha minha na hora de expressar-me e a obra final acabou não ficando tão clara. Porém, já que já expliquei do que se trata a criação, compartilho-a aqui com vocês (seja lá quem são) por meio de fotografias:



PS: E se, parecer contraditória agora por ter EXPLICADO uma obra de arte, o que muitas vezes critico, esclareço-me novamente: não sou contra a obras acompanhadas de teorias, mas sim àquelas que não vivem sem estas (o que não é o caso do meu bolo, que decorou muito bem a minha festa - e dêem licença ao meu ego.).







PS: Impossível deixar o Papa fora do bolo, afinal, tem alguém mais alienado que ele no mundo?

Thursday, March 01, 2007

No último post, que, a essa altura, provavelmente quase ninguém leu, mencionei o desfile do Jum Nakao e coloquei links para os que desejassem ter uma idéia do que acontecera através de fotos. Como penso que elas não foram claras o suficiente para retratar a performance, aqui temos um vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=lTi3DCpeD7E&mode=related&search=

Por acaso, vasculhando o You Tube, encontrei também essa montagem muito interessante, que utiliza imagens do desfile:
http://www.youtube.com/watch?v=KZFSZU1uYb8&mode=related&search=

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Quanto à promessa feita no final do texto anterior:



(I)Estes dois modelitos, com inspiração circense, serão uniforme nas próximas festas da alta sociedade.....





(II)Para as moças que sentem-se mal vestindo peles, aqui temos uma opção intermediária: uma blusa com aplicações de osso de galinha.....




(III)Como o inverno está chegando, este pala serve para aquelas que desejam manterem-se aquecidas, mas dentro das últimas tendências....




(IV)Para as mais discretas, o pretinho básico é uma ótima opção nas noites de frio....




(V)E podem ter certeza: as saias efeito abajur serão tendência certa neste inverno....


(VI)Já este chapéu, também como proteção contra o frio, será disputado por todas laranjetes do palneta.....





(VII)Posso garantir-lhes: este par de sapatos ainda fará muitas moças no Country Club tropeçarem....



(VIII)E quanto àquelas que desejarem um corpo escultural, recomendo este belíssimo vestido.

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I. Ambos os modelos são criação da estilista Vivienne Westwood presentes na sua exposição no V&A Museum.

II. Também Vivienne Westwood, provavelmente da fase em que vendia roupas para punks, em Londres, na loja Sex.

III. Look do desfile de Junya Watanabe.

IV. À esquerda, Cristobal Balenciaga; á direita, Olivier Theyskens.

V. Modelo desfila look por Hussein Chalayan.

VI. Do desfile de Yohji Yamamoto.

VII. Sapato, o qual fez Naomi Campbell tropeçar na passarela de Vivienne Westwood.

VIII. Outra criação de Hussein Chalayan.


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Bom, espero ter feito alguma diferença na visão sobre moda dos que acompanharam este e o último post. Agradeço aos que, pelo menos, tentaram compreender minhas idéias, mesmo não compartilhando delas.