Wednesday, February 28, 2007

SIM, Márcia, eu decoraria minha parede com um vestido.

I

Seguinte, minha gente: falarei mais uma vez sobre um tema polêmico, algo que vem me atucanando desde que me interessei por moda. Sim , isso mesmo, MODA, um assunto para o qual muitos torcem o nariz. No último post, havia dito que para a maioria da intelectualidade, as artes plásticas são as menos valorizadas dentre as artes. Pois bem, tratando-se da arte da indumentária, a situação é ainda pior: quase ninguém reconhece o seu valor artístico. Portanto, estou aqui para defender todos os estilistas e criadores deste setor que são vistos com de maneira fútil pela maior parte da população.

Primeiramente, quero difundir aos senhores leitores minha definição geral de arte:

“Arte é tudo aquilo que o homem cria, capaz de tocar alguém de maneira significativa”
Cindi Wolfe*

Ok, mais um impasse: o que é arte para mim pode não ser para outra pessoa, a partir da noção de que mesmo que uma obra me toque, não quer dizer que toca o outro. Assim, como não posso forçar ninguém a sentir o que eu sinto diante de uma vestimenta, apenas defenderei esse sentimento, pois fico indignada com pessoas que, mesmo não tendo uma sensibilidade visual apurada, afirmam piamente que moda, de forma alguma, é arte, esquecendo-se que estão em campo desconhecido. Para piorar a situação, esses mesmos indivíduos acreditam que um Da Vinci é arte, somente por ser, há séculos, reconhecido assim. Portanto, penso que temos o direito de não considerar algo que não nos sensibiliza uma forma de arte mas, da mesma maneira, devemos respeitar tal.





II

Uma das minhas inspirações para esse texto foi um quadro do programa Especial São Paulo Fashion Week, do canal GNT, no qual a apresentadora, artista, filósofa, etc., Márcia Tiburi, lançou a pergunta: “Se moda é arte, você penduraria esse vestido na sua parede, ou mesmo vestiria esse quadro?”*. Quando ouvi aquilo, surtei. Achei o que ela disse um absurdo total, já que uma obra de arte não se limita a um objeto preso na parerde, muito menos tem a decoração como função principal . Também, da mesma forma, a moda não tem como único objetivo vestir as pessoas!

Provavelmente vocês concordaram que arte não serve apenas para decorar paredes, ao menos é o que espero, depois do que escrevi sobre arte contemporânea no post anterior. No entanto, aposto que não é tão fácil digerir que moda não só existe para vestir pessoas. Se tudo que se criasse em termos de indumentária fosse feito para o povo sair usando, o mundo provavelmente não se espantaria a cada vez que visse um desfile, nem se perguntaria: “Quem é que vai usar um torço desses?!” .


É evidente que o surgimento da indumentária nasceu da necessidade de vestir a população. Porém, isso não impede ninguém de expressar-se através da criação, ou até mesmo combinação, de roupas. Estilistas, também são artistas. Eles – digo, os verdadeiros criadores, e não os imitadores – podem até ser sustentados pelas roupas comerciais, mas só fazem isso porque precisam. Já ouvi designers de moda famosíssimos, confessando que seriam muito mais felizes se pudessem criar livremente, sem o peso das tendências que os assombram a cada estação. Todavia, não podem, pois arte, dificilmente, vende.


Ainda assim, essas peças não vendáveis podem ter seu proveito em uma coleção – daí o espanto de muitos ao verem o que as modelos desfilam- servindo para traduzir o conceito desta. Além das roupas conceituais, um desfile pode receber cenário, iluminação, trilha sonora, coreografia, etc, para enfatizar a mensagem da coleção, ou apenas “emoldurá-la”. Com tantos adornos, uma passarela pode se transformar em palco para uma performance artística. Um bom exemplo disso, foi o desfile de Jum Nakao para o verão de 2005, que surpreendeu a todos que o assistiram, não só pelas criações do estilista, feitas inteiramente de papel, mas também pela originalidade da performance, que culmina em um final de grande impacto. http://www.jumnakao.com.br/ci_desfile.htm
http://www.jumnakao.com.br/ci_desfile.htm





III

Na minha opinião, o grande problema que impede as pessoas de levarem a moda a sério são as peruazinhas infiltradas nesse meio, que pensam entender do assunto por vestirem-se sempre com as últimas tendências e terem peças caaaaaaaaarésimas, enquanto que, não tem a mínima noção do processo criativo daquilo que usam e da genialidade de seus criadores. Logo, o que torna, muitas vezes, a moda fútil são certas pessoas envolvidas em seu meio. Por isso, ao analisar uma vestimenta, deve-se fazer o possível para desinserí-la desse contexto “poluído”. Afinal, é bem possível que, se o mesmo vestido que Nicole Kidman usou no Oscar estivesse em um museu, muitas dessas laranjetes*, obcecadas por grifes, ficariam entediadas diante dele, ou mesmo nem o perceberiam.





IV

Por quase último, gostaria de dizer que, assim como um sapato pode ser completamente desprovido de arte, um quadro também pode ser, ou mesmo um livro, um filme, uma peça, uma música, etc – ou alguém contestará o fato de Kelly Key ser nada além de uma bunda rebolante*?






V


Para não terminar, prometerei, para os que continuam não concordando comigo que moda possa ser arte, mas não desistiram de um dia concordar; que na próxima passada por aqui, postarei algumas imagens, as quais possam fazê-los mudar de opinião, ou pelo menos respeitar a minha.




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I*Peço perdão se alguém já havia formulado esta definição anteriormente mas, como (também) surgiu da minha cabeça, digo ela ser de minha autoria.

II* Confesso que, até senti pena da Márcia, uma mulher inteligentíssima, porque sei que aquela frase não surgiu da cabecinha dela – espero.

III* As laranjetes são aquelas meninas/mulheres obcecadas por um corpinho dourado que acabam extrapolando e ficando “discretamente” artificiais, tendo, além disso, muitas futilidades em comum.

IV* Antes que alguém se manifeste, eu admito: ela também tem dois peitos lindamente siliconados e uma vozinha invejavelmente irritante. Infelizmente, seus atributos não são suficientes:ela não faz arte.

Tuesday, December 12, 2006

Vamos ao que interessa nessa vida: ARTE. Como essa palavra abrange muitas coisas, devo avisá-los que falarei das plásticas/visuais, seja lá como queiram chamar. Não entendo o porquê, mas este é justamente o tipo de arte mais rejeitado pelo povo – e não me refiro apenas às pessoas menos instruídas, mas também aos intelectuais. Mas, tudo bem, não é todo mundo que é tocado apenas por uma imagem (“nada mais monótono do que ficar parado na frente de uma tela em um museu... pelamordedeus!”) e além do mais, cada um com suas preferências.
Na verdade, o conceito de artes plásticas, hoje em dia, não se limita a um quadro, nem mesmo a uma imagem, afinal, pense bem: as instalações podem possibilitar uma experiência sonora além de visual , como no caso da vídeo-instalação, ou ligada a qualquer outro sentido (olfato, tato, etc.). Poderia escrever um post inteiro falando de como cada vez menos podemos categorizar as diferentes modalidades das artes, já que estas estão cada vez mais “miscigenadas”, mas falarei do que tanto me “atucana”: a indignação das pessoas diante da arte contemporânea.

Primeira coisa, caros e caras: sei que não posso esperar que entendam o que é visto na Bienal ou em qualquer exposição de arte contemporânea, pois a arte está sempre a frente do seu tempo e portanto, nunca é bem compreendida por seus contemporâneos. Porém, tentem acreditar que não é preciso entendê-la para apreciá-la, mas simplesmente sensibilizar-se com esta. Assim, posicionarei-me na intenção de amenizar essa revolta na cabeça de (quase) todos.

Antes de começar meu discurso, uma pergunta: De onde tiraram que a arte, para ter qualidade, tem de mostrar que o artista desgastou-se fazendo a obra? Ou então, quem disse que para ser bom tem de ser perfeito?! É, infelizmente, como minha professora de artes do Anchieta disse, até hoje há gente que diga que Picasso é uma porcaria, justificando-se com algo do tipo: “esses rabiscos, até eu faço.” Agora, parafraseando minha outra professora de artes e mestra, Nerê Preto, pergunto-lhes: “Ah é?Então por que não faz?”. Conhecendo a opinião da grande maioria a respeito do artista espanhol que acabei de citar, admito que não mais me surpreendo com a reação do público ao olhar uma instalação ou qualquer objeto de arte contemporânea, afinal, se, para este, nem o cubismo “presta”, nada mais digno de depreciação que as criações atuais .

Todavaia, compreendam, por favor, uma coisa: a qualidade não está apenas na perfeição, mas também na originalidade. Às vezes, um “arteiro” pode até não passar tanto trabalho na execução de uma obra, enquanto que na elaboração desta, no desenvolvimento da idéia em si, não poupa esforços. Portanto, valorizemos a criatividade! Se há algo que me encanta na arte atual é a liberdade que os criadores têm para expôr suas idéias sem medo, permitindo um livre-fluxo de pensamentos e assim muito maior espontaneidade. Do meu ponto de vista, nada pode ser mais verdadeiro do que o que vier de dentro daquele que cria, sem medo e proibições.

Mas, tudo bem, tudo bem, havemos de convir que também há muita porcaria na arte de hoje em dia. Por exemplo, vamos supôr que eu simplesmente pegasse um papelzinho de chiclete Trident e colasse em uma parede branca, afirmando isso ser a mais pura arte, através de uma bela explicação cheia de palavras pomposas que mais confundissem do que esclarecessem o entendimento dessa obra. Isso, realmente, seria o fim, admito. Talvez o principal problema da arte contemporânea seja a sua literalização. Este fenômeno, conforme Tom Wolfe conta-nos em A PALAVRA PINTADA (sim, daí mesmo que eu tirei o título – LEIAM!) começou desde o início da pintura moderna, quando os críticos começaram a intrometer-se demasiadamente no processo de criação, e foi crescendo até o ponto em que a teoria passou a valer mais que a obra em si, ou seja, a obra poderia até não ser das melhores enquanto sozinha, mas, acompanhada de sua aliadinha (ou não), a palavra, passaria a obter seu mérito. Absurdo, né? Bom, lá vou eu a transcrever trechos (manias, perdão):


‘“O realismo não carece de adeptos, mas carece, visivelmente, de uma teoria convincente. E dada a natureza do nosso intercâmbio intelectual com as obras de arte, carecer de uma teoria convincente é carecer de algo crucial – o meio pelo qual a nossa experiência de obras individuais se soma à nossa compreensão dos valores que elas simbolizam”.
.........
O que via diante de mim era o crítico-chefe do The New York Times dizendo: na observação de uma pintura, hoje, “carecer de uma teoria convincente é carecer de algo cruical”. Tornei a ler. Não dizia é “algo desejável” ou “que enriquece” ou mesmo “extremamente valioso”. Não, a palavra era crucial.
Em suma: francamente, nos dias que correm, sem uma teoria para endossá-la, é impossível ver uma pintura.’
.....
Todos esses anos,em suma, eu presumira que em arte, ao menos, ver é crer. Ora - como fui míope! Agora, finalmente, em 28 de abril de 1974, era capaz de ver. Entendera a frase às avessas o tempo todo. Não era “ver é crer”, seu bobalhão, mas “crer é ver” , pois a Arte Moderna se tornou inteiramente literária: as pinturas e outras obras só existem para ilustar o texto.’

Relendo o que acabei de escrever, tenho certeza que aqueles que já não gostavam da arte contemporânea, passaram a odiá-la, só pelo último parágrafo que escrevi e pelo trecho do Tom Wolfe. Ainda assim, permaneço em defesa desta, pois acho que se for boa, nos possibilitará experiências sensoriais maravilhosas, independente do texto que a acompanhar. Desta maneira, devemos, acredito, primeiramente, olhar para um objeto exposto e tentar “vivê-lo”. Se ele exercer algum efeito significativo em nós, isolado de sua teoria, seja instigando-nos, agradando-nos, etc, poderemos pensar nesta. Porém, se querem mesmo saber, tenho uma preguiça inexorável de ler as explicações e críticas relacionadas à arte – satisfaço-me plenamente enquanto meus sentidos estiverem saciados.



Dedico este texto à Sabrina, encurralada no Renascimento (sem ofensas, Sabrininha).

Espero não ter ofendido, irritado ou confundido ninguém.

Se pareci ambivalente, lamento, mas é impossível falar de arte sem se deparar com paradoxos.



Atenciosamente,

Cindi Wolfe.

Tuesday, November 28, 2006

Férias com Billy Pilgrim

Fim de tarefas escolares- louvado seja o Senhor Meu Esforço. Logo, hoje é dia de comemorações.
Minha primeira ação comemorativa foi retomar a leitura do Salaughterhouse-Five, que acabou me surpreendendo por contar da maneira mais debochada a história de um homenzinho esquisito e atrapalhado, daqueles de dar pena, chamdo Billy Pilgrim, que participou da II Guerra. De fato, o livro é um dos clássicos anti-guerra da litetratura, mas ao ler isso, quando me emprestaram o livro, esperava uma história séria, com clima tenso e tudo mais. Mas, onde eu estava com a cabeça? Até parece que o Kurt Vonnegut escreveria qualquer coisa sem uma boa pitada de humor.
Conheçam um pouco do protagonista:
“Billy was born in Illium, New York, , the only child of a barber there. He was funny-looking child who became a funny-looking youth - tall and weak, and shaped like a bottle of Coca-Cola. He graduated from Ilium High School in the upper third of his class, and attended night sessions at the Ilium School of Optometry for one semester before being drafted for military service in the Second World War. His father in a haunting accident during the war. So it goes.”
Então, durante a Guerra, Billy Pilgrim começa a viajar pelo tempo:
“Billy is spastic in time, has no control over where he is going next, and the trips aren´t necessarily fun. He is in a constant state of stage fright, he says, because he never knows what part of his life he is going to have to act in next.”
Depois da Guerra, Billy Pilgrim fica noivo e após algum tempo tem um colapso nervoso (“a mild nervous collapse”) . Recuperando-se da tragédia, Billy fica rico e sua esposa ganha dois filhos: Barbara e Robert.
Infelizmente, nosso protagonista, a caminho de uma convenção internacional de “optometrists”, sofre com um acidente de avião. Todavia, é um homem sadio e recupera-se logo, voltando para casa em Ilium, mas não permanecendo por lá muito tempo:
“And then, without warning, Billy went to New York City, and got on an all-night radio program devoted to talk. He told about having come unstuck in time . He said, too, that he had been kidnapped by a flying saucer in 1967. The saucer was from the planet of Tralfamadore, he said. He was taken to Tralfamadore, where he was displayed naked in a zoo, he said. He was mated there with a former earthling movie star named Montana Wildhack.”
Porém, sem dó nem piedade, sua filhinha querida o arrasta de volta para a monotomia de sua casa e Billy passa a escrever cartas à News Leader de Ilium descrevendo suas experiências fantásticas:
“The most important thing I learned on Tralfamadore was that when a person dies he only appears to die. He is still very much alive in the past, so it is very silly for people to cry at his funeral. All moments, past, present, and future, always have existed, always will exist. The Trafalmadorians can look at all the different moments just the way we can look at a stretch of the Rocky mountains, for instance. They can see how permanent all the moments are, and they can look at any moment that interests them. It is just an illusion we have here on Earth that one moment follows another one, like beads on a string, and that once a moment is gone it is gone forever.”

Bom, e isso já me lembrou duma teoria do Nietzche, mas pararei por aqui com as trafalmadorianas. Na verdade, poderia transcrever a história inteira de Billy por aqui, ou mesma contá-la com minhas palavras (o que a tornaria ainda mais confusa), mas deixarei que os interessados saiam atrás do livro. Por sinal, mais uma coisa a respeito deste que achei muito interessante: o livro também é conhecido como The Childrens Crussade (ao abrir o livro, pode-se ler: “Slaughterhouse-Five or The Childrens Crusade – a duty dance with death by Kurt Vonnegut, Jr.” ) . A Princípio, não entendi, mas no primeiro capítulo, o autor explica que quando visitou um companheiro de guerra para obter informações úteis ao livro que escrevia, sua esposa, Mary, mostrou-se extremamente irritada com a visita, alegando achar um absurdo escrever um livro “glamurizando” a guerra e fazendo dos que participaram desta grandes heróis:
“You´ll pretend you were men instead of babies, and you´ll be played by Frank Sinatra and John Wayne or some of those other glamorous, war-loving , dirty old men. And war will look just wonderful, so we’ll have a lot more of them. And they will be fought by babies like the babies upstairs.”
Claro que o Vonnegut não pretendia fazer da guerra um orgulho para o povo estado-unidense em sua obra, mas, mesmo assim, prometeu a ela que não haveria nada de glamuroso no livro e que este teria como nome “The Childrens Crusade”, já que muitos na guerra eram “just babies”. Por sinal, o livro também é dedicado à Mary.


Bom , comecei o post falando das minhas ações comemorativas de fim de provas, mas acabei voltando todo o enfoque para o livro que voltei a ler . Outro dia falo do retorno à aula de artes, que também me fez muitíssimo bem.

Wednesday, November 01, 2006

Classifiquemos a minha iniciativa de criar este blog como:
A)ação social afetiva
b)ação social tradicional
c)ação social racional conforme valor
d)ação social racional conforme fim

Ok, agora façamos de conta que escrevo aqui em uma prova de sociologia:
“Pode-se afirmar que criar um blog é uma ação social afetiva, pelo fato de que, crio um blog toda vez em que me apaixono.” Não, não... risca! Eu até já tentei começar muitos blogs anteriormente, mas não necessariamente estando apaixonda e, muito menos, a paixão ter sido a causa deste ato.
Recomeçando: “Podemos afirmar que criar um blog é uma ação social tradicional, porque todo ano crio um blog e isso acabou virando um costume.” Será? Bom, acho que também não serve, já que eu sempre dei preferência aos primitivos diários -ou agendas, já que o termo anterior tornou-se arcaico. O porquê desta opção?Bom, devo confessar que sempre tive uma dificuldade SOBRENATURAL com as máquinas (que, como já devem ter ouvido de mim, dominarão o mundo com sua índole revoltada.) e, mais ainda, com a memorização de senhas – sim, é constrangedor admitir isso, mas, já fui forçada a abandonar vários blogs graças ao meu cabeção ( que, como bem sabe o orkut, está sempre nas nuvens).
Mas, chega de lengas: “Criar um blog, pode ser classificado como uma ação social racional conforme valor, já que penso que toda pessoa com um nível intelectual pelo menos razoável deve manter um, no qual compartilhe com seus leitores opiniões a respeito de cultura, política e besteirinhas.” Haha... até parece! Como se todas as pessoas razoavelmente cultas mantivessem blogs (aqui poderia citar no mínimo dez pessoas, as quais admiro intelectualmente e não têm páginas na internet onde postam aquilo que escrevem).
Resta-me a ação social racional conforme fim: “Criar um blog pode ser uma ação social........................., já que é realizada no intuito de atingir um nível excelente de linguagem escrita através da prática diária em um blog.” E, veja só: acabo de constatar que a velha teoria de Max Weber não se enquadra na classificação do meu ato, até porquê, na época em que ele a criou não havia internet, impossibilitando de testar sua taxionomia das ações nesta iniciativa, hoje tão corriqueira.
Será mesmo possível tamanha falha da parte de uma mente tão brilhante? Não. Como bem sabemos (espero), o próprio Weber dizia que uma ação é, quase sempre, uma combinação de duas ou mais das que citei aqui. Portanto, desisito da tarefa. Sintam-se livres para formular análises a respeito da ação social que aqui tentei classificar.

Dã.
Parabéns, caro leitor, se você teve a santa paciência de ler essa babozeira até o fim.

E desculpem-me se, no momento, sentem-se revoltados por terem desperdiçado tanto tempo (imagino) diante dessa inutilidade.
Pelo menos, agora já sabem: só escrevo frivolidades. A opção é de vocês, brasileiros, se quiserem, podem nunca mais passar por aqui. Afinal, DESLIGUE O PC E VÁ LER UM LIVRO!

Mas, convenhamos, mesmo que o meu blog fosse digno de ser lido, há coisas muito melhores. Sugestões? Aqui está a minha listinha de autores que recomendo, tendo ou não lido:

Joestein Gaarder - Esse aí fez meu interesse por filosofia crescer. Acho que tá na hora de ler mais alguma coisa além do Mundo de Sofia, quem sabe, O Dia do Curinga.
Ewan MCEwan -Recomendo Sábado e Reparação, mas espero em breve poder dar mais sugestões.
Kafka- Li uns contos, mas o que queria mesmo era O Processo .
Dostoievski -Quem sabe eu tomo coragem e enfrento Crime e Castigo ou, melhor ainda, Os Irmãos Karamazov? Mas que desta vez o livro não seja da coleção das capas bregas ( é óbvio que falo da série da Martin Claret).
Maupassant - Andei lendo uns contos e… não sei muito sobre ele, então, não custa nada conhecer.
Nietzche - Adoro o ceticismo dele - acho necessário.
Schopenhauer- Ele faz umas reflexões muito boas sobre arte, e, principalmente, música, ou seja, o que há de mais importante nessa vida.
Sartre -Tá, todo mundo sabe que é essencial.
Simone de Beauvoir -Porque ela é uma revoluvionária e, se é para ler Sartre, não dá para esquecer dela.
Roald Dahl -Ah, pára! Por mais que as histórias dele façam parte de um universo infantil, temos que admitir a genialidade do coitado! Afinal, quem não ama Matilda ou Willy Wonka?
Thomas Mann -Alguém pode me dizer se A Montanha Mágica ou os Buddenbrooks são tão ou mais chatos quanto Tonio Kroeger? Se não forem, sentirei-me aliviada.
Henry Miller -Esse é o cara que escrevia coisas “obscenas” que levaram trinta anos para poderem ser comercializadas legalmente nos EUA. Nem preciso dizer que, não havia nda de tão feio assim além das palavrinhas chulas, somente a realidade. E quem disse que a arte não deve retratar o real?
Salinger -Meu namorado leu e amou. Quer mais algum motivo? Sem dúvidas. Então tá: disseram-me que em O Apanhador no Campo de Centeio há um dos diálogos mais engraçados já escritos.
Kurt Vonnegut – É o velhinho mais hilário da face da terra. Faz críticas excelentes a respeito de tudo, principalmente do tão exemplar governo norte americano.
Erico Verissimo – Quem não acha as mulheres de O Tempo e o Vento admiráveis? Ou, no caso dos homens, o capitão Rodrigo? Então parem de se contentar em ter lido O Continente e terminem a trilogia de uma vez (prometo um dia fazer o mesmo)!
Machado de Assis – Dizem que é o maior escritor brsileiro. Ler para crer.
Marcia Tiburi – Eu li o Magnólia- Romance em 100 Fatos e Um Vôo de Inseto e, apesar de não ter compreendido muito bem, serviu-me de inspiração para uma escultura e deu início a uma eterna paixão por insetos. Portanto, quero terminar a Trilogia Íntima.
Inês Pedrosa – Há tempos uma amiga da minha mãe já vem me falando muitíssimo bem dessa portuguesa e, semana passada vi o nome dela da Bravo. Assim, já temos duas fontes confiáveis.

Chaga, o teclado já sofreu demais por hoje.