Foto de David Douglas Duncan
Foto de Robert DoisneauPablo Diego José Francisco de Paula Juan Nepomuceno Maria de Los Remedios Cipriano de la Santissima Trindad Ruiz y Picasso, nascido em 25 de outubro de 1881, na cidade catalã de Málaga e mais conhecido como Picasso (sobrenome da mãe), sempre gostou de desenhar. Seu pai, pintor medíocre e preofessor, logo viu o talento precoce do menino (Pablito, será?) e decidiu entregar-lhe seus pincéis e encaminhá-lo à Barcelona, onde estudaria arte. De fato, na época – ao contrário do que ocorre hoje -, Barcelona não era lá um grande centro artístico, mas sim o que havia de mias acessível ao jovem arteiro considerando-se localização e condições financeiras.
Tendo seus primeiros quadros vendidos na nova cidade, mudou-sem para Madrid. No entanto, bom mesmo seria ir à Paris, onde a arte realmente acontecia. Então, em 1904, já tendo passado por lá anteriormente, mudou-se definitivamente para a Cidade Luz. Lá conhece não apenas os prostíbulos, como os cafés, e, da mesma forma, tanto as mulheres – e quantas! – como grandes artistas e intelectuais (Apollinaire, Jean Cocteau e Gertrude Stein..).
Apesar dos anos sofridos de miséria em Paris, Picasso foi recompensado, tornando-se, anos depois, milionário. No entanto, só se pode falar em recompensa, considerando-se seu árduo trabalho, sua determinação, ao contrário de alguns de seus contemporâneos que eram antes boêmios que artistas.O próprio artista dizia:“Morrerei de pincel na mão”, e, se não morreu, foi por acaso, já que continuou produzindo até seus últimos dias. Sobre isso, Carlos Heitor Cony, na revista Manchete de abril de 1973, afirma: “Enquanto outros artistas e escritores se devoravam nas fórmulas abstratas da arte e da vida, Picasso ia imprimindo um ritmo vertiginoso à sua produção, abrindo a sua inspiração a todos os caminhos que se cruzavam à sua volta, mas sem esquecer que a arte requer uma disciplina existencial – e a primeira e mais pesada manifestação dessa disciplina era o trabalho.”
Porém, Picasso não somente se diferenciava de seus colegas pela disciplina, mas também por sua inquietude, que o fazia transitar por todos os estilos, concedendo complexidade e inclassificabilidade à sua obra. “ A sua arte atravessaria 80 anos de história da pintura, seria contaminada por todos os movimentos de seu tempo – e a todos poderosamente contaminaria. Do realismo ao surrealismo, do cubismo ao expressionismo, da fase azul à fase rosa, dos retratos às gravuras eróticas, da escultura à cerâmica, da ilustração de livros aos murais, de tudo Picasso provou, mas sempre quis mais.” Certa vez, ao ser perguntado sobre qual dos seu períodos gostava mais, respondeu: do próximo. Pode-se dizer que, se nós o consideramos o pintor de todos os estilos, ele, paradoxalmente, se denominava um pintor sem estilo.
No entanto, há algo que conservou em todas suas fases: a hispanidad. “Sua vontade de ser espanhol só era menor que sua vontade de ser pintor” , afirma Cony. Assim, foi a Paris para evoluir como pintor, mas, mesmo após anos vividos na cidade, nunca naturalizou-se francês, concentrando-se em manter-se espnahol. Como conseqüência, suas obras nunca abandonaram os resquícios espanhóis, apresentando como temática as touradas, as crianças, as fanfarras, e como característica as cores, a luz e a vitalidade do seu país de origem.
Não gastarei meu tempo falando de suas inúmeras mulheres-trocava de mulheres como trocava de pincéis -, apesar de elas terem tido efeito significativo em sua obra ou mesmo sido tema dela (uma de minhas séries favoritas é a dos retratos de Dora Maar) , pois isso é o que as pessoas mais parecem saber sobre Picasso (relacionamentos sempre dão o que falar). Também não falarei de sua relação com Franco e a segunda guerra e, portanto da Guernica, porque isso se aprende no colégio. Fecho esse post com duas citações suas a respeito da arte:
“ Não existe liberdade para ninguém, muito menos para o artista. A obra escraviza.”
“A arte não não é casta. A arte é perigosa. É reveladora. Se é casta ou se não revela, não é arte.”
"O que você acredita que é um artista? Um imbecil que só tem olhos se for pintor, ouvidos se for músico, ou uma lira em todos os andares do coração se for poeta? Muito pelo contrário, ele é ao mesmo tempo um ser estético, constantemente em alerta diante dos dilacerantes, ardentes ou doces acontecimentos do mundo, refletindo-os na forma como realiza sua obra. Como seria possível desinteressar-se dos outros homens? Graças a qual indolência, dissociar-se de uma vida que eles lhe trazem de modo tão abundante? Não, a pintura não é feita para decorar apartamentos. É um instrumento de guerra ofensivo e defensivo contra o inimigo."
"A obra de um artista é uma espécie de diário. Quando o pintor, por ocasião de uma mostra, vê algumas de suas telas antigas novamente, é como se ele estivesse reencontrando filhos pródigos - só que vestidos com túnica de ouro."
"A Arte não é a verdade. A Arte é uma mentira que nos ensina a compreender a verdade".
"O artista é como um receptáculo de sentimentos que vêm de toda a parte:do céu, da terra, de um pedaçõ de papel, de uma figura que passa, ou de uma teia de aranha"
A pomba, um dos símbolos do artista, em versão minimalista
O minotauro, motivo muito freqüente
Retrato de Françoise Gilot
Guernica, a obra prima








