ou "A Bienal do Vazio"
ou "A Bienal grita, mas eu não escuto"
Mais uma Bienal do Mercosul se acaba, e minha cabeça se enche novamente de questionamentos. Ainda não digeri bem a exposição, mas o que tenho a dizer agora é que me pareceu uma Bienal vazia. Vazia de forma, vazia de conceito: exceto ao MARGS, quase tudo que foi exibido me pareceu artisticamente carente. A preocupação maior dos artistas foi abordar um conceito, defender uma ideia, o que fez com que acabassem esquecendo dos aspectos formais. Na minha opinião de estudante de artes visuais, como o nome do campo já indica, a obra tem que cativar primeiramente pelo que vemos. Se isso nos atrai, então vamos nos perguntar o que ela tenta nos dizer. Infelizmente, o artistas vem se preocupando cada vez menos com os aspectos formais (dizem que isso é uma questão moderna, não contemporânea)e focando no conceitual. E se a estética é fraca, o conceito tem que ser forte. E o que acontece se esse é clichê? O que se faz quando, pelo olhar, a imagem não nos toca e seu discurso é filosofia barata, discussão óbvia, debate de aula de religião? Por, último, pergunto: o que fazer se a Bienal grita e eu não escuto? Aí fica difícil até mesmo pra quem vai disposto a romper preconceitos.
Olha, depois de visitar as exposições do Cais do Porto e do Santander Cultural, não sei mais o que será do meu futuro. Sinceramente, se isso - ter como essencial algum discurso e não tocar sensivelmente- é o contemporâneo, sou mesmo um projeto de artista modernista. Minha questão é formal. Meu apelo é pelos sentidos, não pela razão. Meu tesão é pelo inconsciente. Gosto do indizível.
O que será da arte no século XXI? Será o fim da história da arte, como diz o título do livro de Hans Belting? É... de novo me vejo conversando com Tom Wolfe e resta a pergunta: Que fim levaram todas as flores?
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